Curitiba - O ataque de um dos jacarés que vivem no lago do Parque Barigui, em Curitiba, a um cachorro vira-lata, reacendeu a polêmica da retirada dos répteis do local, que é um dos mais frequentados entre as áreas de lazer da Capital. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente está decidida a removê-los, mas, antes disso, precisa achar uma nova moradia para os répteis. São dois exemplares da espécie do papo-amarelo, que estão lá há cerca de 20 anos, e um do Pantanal, descoberto mais recentemente.
Esse é o dado oficial, mas há indícios da existência de outros jacarés. O repórter fotográfico da FOLHA conseguiu flagrar um jacaré mais jovem - que seria, possivelmente, o quarto animal- tomando banho de sol em uma pequena ilha do lago.
O superintendente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Paulinho Dalmaz, já pediu ajuda do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para achar uma destinação para o jacarés e disse que espera encontrar uma solução o quanto antes.
A iniciativa foi motivada pelo clamor que se gerou com o ataque ao cão, na presença de frequentadores do parque. Mas não há registro de nenhum incidente envolvendo pessoas, assegurou Dalmaz. ''Eles não vêm no seco atacar pessoas. Não atacam nem mesmo os outros animais que vivem no parque, pois recebem alimentação farta'', reforçou.
Marcos Rodrigues Lopes, que presenciou o ataque do jacaré junto das filhas pequenas, acredita que os animais são um risco para os frequentadores e, por isso, defende a retirada dos répteis. ''Não faz sentido esperar que aconteça um acidente mais grave'', destacou. Ele contou que o cachorro foi muito próximo da cabeça do jacaré, que estava dentro da água próximo da margem. Em um bote certeiro abocanhou o cachorro e submergiu com a presa entre os dentes.
Já o bancário aposentado José Benedito de Godoy, que frequenta o Barigui há pelo menos 17 anos, tem uma opinião contrária. ''O jacaré nunca fez mal para ninguém e, inclusive, serve de atração para as crianças, assim como as capivaras e os gansos que vivem aqui'', afirmou, defendendo a permanência dos bichos. ''É só não invadir o espaço deles. O problema é que as pessoas ficam provocando o bicho, jogando pedras'', complementou.
A coodenadora do Núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, em Curitiba, Eunice de Souza, lembrou que já houve uma tentativa de remoção dos jacarés, em 2004, mas não por causa de algum incidente e, sim, porque os répteis não estão em seu habitat natural. Eles foram deixados ali. Segundo ela, já está sendo consultado o Centro Especializado de Manejo de Répteis e Anfíbios para verificar um criador cadastrado que possa receber os jacarés.

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