Londrina – A Polícia Militar Ambiental capturou durante a madrugada de ontem um jacaré de 1,5 metro em uma chácara localizada na estrada das Três Figueiras, na zona norte de Londrina. O animal foi levado na tarde de ontem para ser solto em uma reserva nativa próxima ao Rio Paraná, na divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul.
O jacaré-de-papo-amarelo assustou os moradores da chácara já que estava perto da casa da família. A propriedade é banhada por um riacho e um lago, mas o réptil se encontrava na parte seca da chácara. Os policiais tiveram alguma dificuldade para capturar o jacaré, que estava bastante bravo e agitado. O animal foi encaminhado em uma espécie de jaula para a sede da Polícia Ambiental, que fica anexa ao Jardim Botânico. Antes de ser transportado, recebeu o atendimento de um veterinário. O bicho não apresentava ferimentos graves nem sinal de maus-tratos.
Segundo o cabo Valério Constantino, da Polícia Ambiental, este tipo de jacaré não é agressivo, porém acaba atacando quando se sente ameaçado. "Ele não vai partir para cima de uma pessoa a não ser que seja provocado ou esteja com um filhote, por exemplo. Caso ataque alguém, os ferimentos podem ser sérios, devido a força que ele possuí", relatou.
O professor do Departamento de Biologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Luís Birindelli, explicou que a presença do jacaré-de-papo-amarelo é mais comum na Região Sudeste e que são raros os registros destes animais nas proximidades de Londrina.
Birindelli lembrou que o grupo de jacarés frequentemente vistos nas proximidades do Lago Igapó 2 é da espécie do Pantanal. A espécie foi introduzida em Londrina e os primeiros registros datam da década de 1980. "Se for realmente um jacaré-de-papo-amarelo é um caso raro mesmo. Agora se for um do Pantanal pode ser que ele tenha se deslocado para uma outra área em virtude das chuvas dos últimos dias", frisou o professor. "Os jacarés do Pantanal são maiores que os do papo-amarelo", comparou.
Os jacarés vivem em locais próximos a rios e áreas alagadas e florestadas. São carnívoros e se alimentam, principalmente, de peixes. "Em caso de se deparar com um jacaré em um ambiente urbano o mais indicado é entrar em contato com a Polícia Ambiental para evitar algum problema ou incidente e também para preservar o animal", ressaltou o cabo Valério.
A preferência por levar o jacaré até a divisa dos dois Estados é que no Mato Grosso do Sul há um número maior desses animais e isso ajuda na ambientação.

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