''Dizem que tem dois jacarés aqui no Lago 2, mas eu nunca vi'', dizia ontem à tarde o motorista Vagner Marques Vieira. Pescador ocasional de finais de semana, Vieira costuma ir ao Igapó pelo menos duas vezes por mês atrás dos peixes. Assim como o motorista, muitos frequentadores do lago até sabem da existência, mas também não tiveram a oportunidade de ver o jacaré.
Com mais sorte, o corretor de imóveis Luiz Alves Ferreira já avistou os jacarés várias vezes enquanto pratica caminhada. Vizinho do Igapó 2, Ferreira acorda cedo para dar algumas voltas na pista às margens do Lago. ''Gosto de ficar olhando o lago, é bonito. Já tinha visto os jacarés antes, mas só as cabeças'', conta.
Na semana passada, a rotina matinal teve um acontecimento inesperado. Ferreira encontrou o jacaré tomando sol numa das margens. ''Dei duas voltas e fui para casa chamar meu filho. Voltamos com a câmera e ele ainda estava lá'', lembra. O filho, o engenheiro elétrico Luiz Roberto, acabou se tornando o autor das fotos históricas nunca antes alguém tinha conseguido registrar o animal de tão perto.
''Quando cheguei mais perto, uns cinco metros, ele mergulhou'', conta Luiz Roberto. ''Mas ele (jacaré) estava fugindo do movimento. É arisco'', explica o corretor. ''Algumas pessoas que estavam por perto só foram perceber que era o jacaré quando me viram fotografando'', lembra Luiz Roberto.
São 13 fotografias do jacaré, que segundo pai e filho, tem entre 1,20 e 1,50 m. ''O outro'', avisa Ferreira, ''é menor, é filhote''. ''Mas o jacaré está na dele e é bom ressaltar que as pessoas não tem medo. Ali no lago tem muito peixe, muita comida, então ele não vai atacar'', completa.
De acordo com o ambientalista da Patrulha das Águas João Batista Moreira Souza, as primeiras aparições de jacarés no Igapó foram em 1990. ''Um indivíduo que queria transformar o Lago numa espécie Pantanal trouxe jacaré para cá'', explica o ambientalista.
''Em algumas épocas eles somem e tem quem acredite que morreram, mas nunca encontramos qualquer carcaça'', conta o ambientalista que faz um giro por 50 pontos documentando a situação da bacia do Cambé. Desde 2000 já são cerca de 120 mil fotos. ''Mas nunca consegui uma foto dos jacarés, apesar de tê-los vistos várias vezes'', comenta. ''Eles são ariscos e não oferecem riscos para a população'', garante João Batista, que também é assessor do Núcleo de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente.
Diretor da Associação dos Moradores do Alto do Igapó, Luiz Alves Ferreira avisa que vai sugerir um concurso para a escolha de um nome para o jacaré, agora fotografado e documentado por seu filho. ''Vai ser um nome pitoresco'', antecipa Ferreira, que ainda não pensou em nada. ''O jacaré é atração turística'', garante.

mockup