Na última semana, praticamente, triplicou em Londrina o número de casos de maculopatia solar ou retinopatia, uma inflamação na região central da retina causada por exposição ao Sol. Agora, já são 30 pacientes com o doença na cidade, contra 11 diagnosticados pela Associação Médica de Londrina (AML) no último dia 12 de abril.
Segundo o médico Rui Barroso Schimiti, diretor do Departamento de Oftalmologia da AML, todos os casos têm uma só origem: as supostas aparições de Nossa Senhora para uma jovem de 15 anos, no Jardim Santa Madalena (zona leste), onde as pessoas dizem ver manifestações da santa quando olham diretamente para o Sol.
Rui Schimiti afirma que os casos de maculopatia são raros em todo o mundo. Há menos de 15 dias ele participou de um congresso internacional de oftalmologia realizado na Flórida (EUA). Lá, foram relatados como algo fora do comum a ocorrência de 20 casos em Lyon, na França, em 1986, durante um eclipse solar. ‘‘E aqui já são 30! Por isso vamos continuar acompanhado a evolução do problema.’’
O médico explica que a perda da visão nos pacientes tem variado de 10% a 40% e a tendência é que o problema seja solucionado com tratamento a base de corticóide (antialérgico e antiinflamatório). ‘‘A recuperação pode durar até um ano’’, diz. ‘‘Por isso a gente queria conscientizar as pessoas sobre os riscos e também alertar para que a igreja tomasse alguma posição. Agora, esperamos que o número de casos passe a diminuir.’’
No dia 21, o arcebispo dom Albano Cavallin enviou comunicado à imprensa informando que estava tomando algumas medidas para evitar a ocorrência de novos problemas. Entre as medidas está a recomendação para que os fiéis não olhem mais diretamente para o Sol. ‘‘Sobretudo depois de termos o relatório de vários médicos atestando os males que esta atitude está causando nos olhos de pessoas com mais sensibilidade’’, diz o texto.
Outra medida é a nomeação de três sacerdotes que acompanharão a família da jovem que diz ver Nossa Senhora e também os fiéis que vão até o Jardim Santa Madalena no dia das supostas aparições. Além disso, a igreja salienta que está mantendo uma postura ‘‘prudente’’ sobre o fato, inclusive buscando orientação junto ao Vaticano para identificar o grau de veracidade do fenômeno.
‘‘Recomendamos ao povo de Deus que olhe, sobretudo, para a Bíblia que tão bem nos revela a fisionomia espiritual de Nossa Senhora, que se apresenta como serva do Senhor’’, conclui o texto de dom Albano, que escreveu o comunicado após consulta ao Conselho de Presbíteros da Arquidiocese de Londrina. ‘‘A nossa orientação é que a pessoa não olhe para o Sol. Nem com óculos escuros ou filtro de fotografia velado’’, acrescenta o médico Rui Schimiti.

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