Quando a modelista Lúcia Helena Martins Esteves, 39 anos, ficou grávida do terceiro filho, Francisco, hoje com dois anos, levou um susto. Seus dois primeiros filhos, Juliana e Pedro Henrique, tinham 16 e 14 anos respectivamente. Depois do nascimento do caçula, foram outros sustos, já que tudo que ela tinha aprendido sobre como cuidar de bebês não tinha mais validade. ''Minha gravidez acabou sendo mais tranquila do que as outras, assim como os cuidados com o bebê, pois tive muito mais apoio e orientação dos profissionais de saúde'', conta Lúcia.
Segundo ela, os cuidados com Francisco foram completamente diferentes do que os com os outros filhos, assim como cuidados simples do dia a dia. ''Juliana ganhou sua primeira chupeta ainda na maternidade. Eu nem tinha comprado, mas deram no berçário. Com o Pedro eu já levei, porque sabia que iam dar. Com o caçula, ainda durante o pré-natal tive orientações com um odontopediatra sobre não usar a chupeta nem a mamadeira'', explica. Ela afirma que o pequeno nunca sentiu falta e não chupa nem o dedo.
Outra diferença foi em relação ao banho, que era proibido enquanto não caísse o umbigo. Lúcia conta que nos primeiros dias a higiene dos bebês era feita com uma fralda úmida e também não se podia lavar a cabeça da criança direito, por causa da moleira - espaço do crânio do bebê ainda não calcificado.
''Nas duas primeiras gestações, minha mãe e minha avó que iam cuidar do bebê, davam banho. Eu tinha medo, achava que ia machucar a criança. No Francisco eu tive que dar banho ainda na maternidade, caso contrário não teria alta. E com direito a muita água e sabonete, inclusive lavando a cabecinha dele. A enfermeira explicou que era necessário cuidado, mas que com o jeito certo não haveria problemas.''

Alimentação

A alimentação também é um item que mudou muito em uma década. Antes as crianças eram alimentadas com iogurte, mamadeira com direito a açúcar, frutas e bolachas, tudo muito cedo, além do leite de vaca e do famoso chazinho para as cólicas. De acordo com Lúcia, o filho caçula foi amamentado exclusivamente com leite materno até os seis meses, só foi conhecer doces além do das frutas muito depois de um ano de idade e a mamadeira até hoje é de leite puro.
''As cólicas também foram tratadas com remédio, massagens e com o calor do nosso colo, nada de chás. A minha mãe me chamava de louca, porque o bebê ficava chorando até o remédio fazer efeito e ela queria que eu desse o chazinho de qualquer jeito'', conta rindo.
Lúcia explica que não só os cuidados com os bebês mudaram, mas também os cuidados com a mãe, que sofria com os diversos mitos que cercavam a gravidez. ''Nessa última gravidez não precisei fazer a famosa dieta, em que a mulher ficava 40 dias sem poder fazer absolutamente nada, nem lavar o cabelo podia. Também engordei bem menos, porque não há mais aquela história de comer por dois. Acho que os bebês também estão diferentes, porque mal nascem e estão de olhos abertos, são bem mais espertos, já não ficam todos enrolados e podem usar roupas mais frescas também.''

Evolução


O pediatra Milton Macedo de Jesus, um dos coordenadores do curso de atualização em Pediatria da Associação Médica de Londrina, explica que existem referenciais que são aprendidos na faculdade de Medicina e na residência médica e que os avanços científicos, dependendo da área, acontecem com uma velocidade muito grande. ''Por isso existem os congressos e os programas de educação continuada a distância, que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) faz a cada três semanas'', justifica.
Em Londrina, uma parceria entre a AML, a Unimed e o Hospital Universitário possibilita que os pediatras façam um curso presencial, realizado há sete anos. ''Trazemos os melhores professores e autores de cada assunto e discutimos.''
O pediatra explica que existe consenso entre os profissionais, inclusive fora da área médica, sobre assuntos como uso de chupeta, amamentação e a posição para dormir, em que somente em casos especiais pode haver recomendações diferentes.

Serviço - Para pais que querem saber mais sobre como cuidar dos pimpolhos, a SBP editou a série Filhos, composta de três livros e também disponibiliza o site www.conversandocomopediatra.com.br

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