Ivan Custódio Nery, 42 anos, é casado e pai de quatro filhos. Já trabalhou nas empresas londrinenses Cacique, Skol e Link. Ao ser preso, em 14 de janeiro, estava trabalhando em uma oficina mecânica em Londrina, onde reside há 16 anos em casa própria.
‘‘Sempre trabalhei honestamente. A única passagem que tive pela polícia foi por difamação. Falei o que não devia para um vendedor ambulante que tentou enganar minha esposa’’, contou o preso. Ivan alega que, foi deste processo por difamação que as autoridades policiais tiraram seus dados, confundindo-o com o estelionatário Norberto Ivan Constâncio da Silva.
Para Nery, a Justiça está equivocada. ‘‘Eu não mereço pagar por aquilo que não fiz’’. Ele reclama que, além de ter sido vítima de estelionato quando vendeu seu carro em 1989 e lhe pagaram com cheque sem fundo, ainda acabou na cadeia porque confundiram seu nome.
‘‘Na época, eu anunciei um Fusca 76 na Folha de Londrina. Na mesma semana, Norberto Ivan Constâncio e João batista Ramos me procuraram para comprá-lo’’, contou Nery. Segundo ele, o carro foi pago com um cheque ouro do Banco do Brasil de Maringá, no valor de 220 cruzeiros, em nome de Jeter José Kanoskovik. ‘‘Quando fui ver o cheque, era roubado. Então demorei 30 dias para encontrar meu carro, que estava em Siqueira Campos (70 quilômetros ao sul de Jacarezinho) com o chassis adulterado’’, acrescentou.
Depois disso, Nery deu por encerrado o caso e nunca esperava parar na cadeia. Indignado, ele diz que vai lutar por seus direitos onde precisar. ‘‘Quero provar minha inocência em qualquer Tribunal do mundo’’.
O mecânico garante também que nunca lesou ninguém. ‘‘Tenho meus negócios para cuidar, minha família para sustentar e não posso continuar atrás das grades’’. Para ele, ‘‘não há preço que pague a liberdade das pessoas’’. (Luciane Tonon)

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