Itália questiona investigação da morte de 4 rapazes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Edna Mendes 
O Parlamento Italiano deve enviar nos próximos dias um documento às autoridades brasileiras, questionando as providências que estão sendo tomadas com relação aos quatro rapazes que foram mortos pela Polícia Civil no dia 10 de outubro de 97, na Favela Monsenhor Guilherme, região central de Foz do Iguaçu.
As mortes aconteceram durante uma operação policial para reprimir o tráfico de drogas na favela. Dos quatro rapazes mortos, três eram menores de idade. Na época, a polícia alegou que eles reagiram à prisão atirando contra os policiais e foram mortos enquanto fugiam. Morreram Eli de Oliveira, 19 anos, Ademilson Dias Mattos, 17, Arnaldo Oziel Mongelon, 16, e Giovani Medina, 15.
Um relatório sobre a chacina foi encaminhado pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Foz, para vários organismos internacionais de direitos humanos, em diversos países.
Na Itália, o parlamento criou um documento pedindo providências para punir os culpados e questionando a maneira como as autoridades brasileiras tratam os problemas de segurança no País. Os parlamentares indagam se no Brasil os problemas sociais são resolvidos com o extermínio de pessoas. O documento será enviado ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao governador Jaime Lerner (PFL), ao Ministério da Justiça e ao de Relações Exteriores, entre outras autoridades.
Segundo o reverendo Romeu Olmar Klich, do Centro de Direitos Humanos, a chacina ocorrida em Foz repercutiu em vários países. Na Europa estão sendo coletadas milhares de assinaturas pedindo punição para os culpados da chacina. Essas mortes em nada diferem das chacinas que acontecem em São Paulo e no Rio de Janeiro, disse.
A pedido do Ministério Público os corpos dos quatros rapazes foram exumados 13 dias depois da chacina. Mas até hoje o laudo sobre a exumação não foi divulgado.


