Itaipulândia paga até universidades
Apesar de ocupar o terceiro lugar no ranking dos municípios que mais recebem royalties energéticos, Itaipulândia (75 km ao norte de Foz do Iguaçu) é o que mais depende da indenização paga pela Itaipu Binacional. Esses recursos (cerca de R$ 750 mil mensais) representam 85% da receita municipal, de aproximadamente R$ 900 mil mensais. Itaipulândia tem 4,6 mil habitantes.
Do total de royalties que recebe, Itaipulândia aplica 25% (R$ 200 mil mensais) em um bem sucedido programa educacional. Os 893 estudantes das quatro escolas municipais, que atendem do pré-escolar à quarta série, recebem todo o material didático gratuitamente, têm no currículo o ensino de informática e são beneficiados por serviços complementares de fonoaudiologia, psicologia e fisioterapia.
Ney de SouzaMarcaUm arco na entrada de Itaipulândia anuncia a prosperidade do municípioAlém das 20 horas semanais de aula, podem optar por duas horas de atividades extra-curriculares. Há sete opções: balé, teatro, banda, coral, violão, teclado e gaita. O salário dos professores municipais (R$ 422,00) é um dos mais altos da categoria do Estado.
Mas o mais importante programa educacional de Itaipulândia é o crédito educativo. A prefeitura paga a mensalidade e ainda uma ajuda de custo de um salário mínimo (R$ 130,00) para os moradores que deixam o município para cursar universidades ou escolas técnicas de segundo grau - inexistentes em Itaipulândia. Depois de formado, o profissional paga apenas 60% do valor recebido (corrigidos pelo IGPM, um dos mais baixos índices em vigor no País), em até quatro anos.
Criado em 1995, o Crédito Educativo Municipal beneficiou neste semestre 107 estudantes de Itaipulândia. Há bolsistas espalhados por faculdades dos Estados do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Alguns chegam a receber mensalmente até R$ 870,00. Esse é o caso de Jocimara Luzia Tambosi, de 18 anos, que cursa veterinária na Universidade Tuiuti, em Curitiba. Neste ano, a prefeitura gastou uma média mensal de R$ 38 mil com o programa.
Ney de SouzaAuxílioAndréia Medeiros, atendente de creche: ajuda de custo para estudar foraO resultado do crédito educativo já pode ser sentido. A carência de mão-de-obra na área de educação começa a ser suprida. Agora precisamos incentivar a formação de mais médicos e dentistas, planeja o secretário municipal de Educação, Ronei Luiz da Costa, de 36 anos.
Beneficiada pelo programa, a atendente da Creche Municipal Arco-Íris Andréia Medeiros, de 19 anos, viaja uma vez por mês para fazer provas na universidade Unoeste, de Presidente Prudente (SP), onde conclui, em novembro, o primeiro ano do curso de pedagogia. O programa municipal paga a mensalidade da instituição (R$ 255,00) e ainda dá a Andréia uma ajuda de custo mensal de R$ 130,00. Formado há um ano, também em Presidente Prudente, o professor de educação artística Moacir Marcos Mathes, de 33 anos, quitou em novembro a quarta parcela (de R$ 208,00), da verba de R$ 7,8 mil que recebeu da prefeitura para estudar. Já tem dois empregos. Durante o dia, é auxiliar de diretoria da Escola Municipal Carlos Gomes e, à noite, leciona na Escola Estadual Tiradentes. Consegue somar um salário de R$ 650,00.Ney de SouzaOpção de lazerPraia Artificial de São Miguel do Iguaçu, no Lago de Itaipu: município tem população de cerca de 50 mil habitantes e recebeu desde 91 US$ 37,66 milhões de royaltiesValmir Denardin





