Itaipu solta animais criados em cativeiro
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Mauri Konig 
Cientistas da Itaipu Binacional soltaram ontem na mata do Refúgio Biológico Bela Vista um cachorro-do-mato e um mão pelada reproduzidos em cativeiro. Eles são os primeiros dos 202 animais silvestres, de 40 espécies, a serem soltos para repovoar as matas nativas das margens do lago da hidrelétrica.
Esses bichos terão uma coleira dotada de um rádio-transmissor, que permitirá aos técnicos da Itaipu acompanhá-los nos primeiros três meses de liberdade. O biólogo Emerson Suemitsu, responsável pelo monitoramento após a soltura, disse que serão necessários alguns anos até que todos sejam colocados em liberdade.
O aparelho de recepção dos sinais emitidos pela coleira tem alcance de cinco quilômetros e revelará se os animais estão ou não se adaptando à vida selvagem. O receptor é capaz de monitorar até dez animais simultaneamente.
Os furões, que se reproduziram em abundância em cativeiro, servirão como uma espécie de cobaia até que os técnicos da Itaipu adquiram mais experiência no manuseio do equipamento de rastreamento. Desta forma, eles não correm o risco de perder animais raros ou ameaçados de extinção.
Somente após a técnica da biotelemetria ser totalmente dominada é que serão soltos os animais mais raros, ameaçados de extinção, como os felinos predadores que são a razão principal do projeto.
O gato-do-mato-pequeno, o gato-maracajá e a jaguatirica, por exemplo, são predadores nativos que deverão devolver o equilíbrio da fauna nos refúgios Bela Vista (1.900 hectares) e Santa Helena (1.500 hectares), mantidos pela Itaipu. Antes de serem soltos, os animais passarão por um período de readaptação à vida selvagem.


