Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O volume de água do Lago de Itaipu vai ser reduzido em mais um metro até o dia 10 de dezembro. O objetivo da medida, anunciada ontem, é manter a hidrelétrica produzindo entre 10% e 12% acima de sua geração média para socorrer as demais usinas do sistema elétrico nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, afetadas por seca que já dura três meses.
Os reservatórios das hidrelétricas dessa região, localizadas na bacia do Rio Paraná, acima de Itaipu, armazenam hoje apenas 24% de sua capacidade, em média. É o nível mais baixo dos últimos cinco anos.
Ontem, o Lago de Itaipu estava na cota 218,15 metros (acima do nível do mar). Essa marca está 1,85 metro abaixo do nível médio, de 220 metros acima do nível do mar. Com a manutenção da operação de socorro, o nível deverá chegar a 217 metros no próximo dia 10 – três abaixo do normal.
Apesar de usar mais água, Itaipu não ampliará o acréscimo na geração iniciada no último dia 8, quando as demais hidrelétricas do sistema interligado começaram a apresentar ameaça de abastecimento devido ao baixo nível de seus reservatórios. Naquela época, a média era de 32% da capacidade de acumulação.
Atendendo a um pedido do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – agência reguladora do setor –, Itaipu passou a produzir 11,2 mil megawatts de energia. A média então era de 10 mil megawatts (25% da produção total brasileira). Esse acréscimo é suficiente para abastecer uma cidade com 3 milhões de habitantes (duas vezes a população de Curitiba). Hoje, Itaipu responde por 27% da produção nacional de energia.
Para gerar mais energia, a hidrelétrica começou a gastar mais água e, consequentemente, o volume acumulado foi sendo reduzido gradativamente. Agora, para manter o acréscimo já obtido, será necessário rebaixar ainda mais o lago. O pedido de prorrogação da medida partiu novamente do ONS. O objetivo principal é fazer com que os outros reservatórios do sistema consigam manter os níveis atuais, ainda não considerados críticos.
O gerente do Departamento de Planejamento Regional de Itaipu, Elias Absy, disse ontem que o rebaixamento do lago não deverá provocar grandes danos ambientais nos municípios banhados por ele. ‘‘O volume d’água é muito grande e não haverá efeito sobre a vida dos peixes’’, afirmou. Absy voltou a rebater relatos de pescadores que atuam no lago, de que a redução do volume de água está provocando morte de peixes em níveis anormais.
O nível mais baixo no lago de Itaipu – formado a partir de 1992 –, foi atingido em outubro de 86, quando houve o rebaixamento para obras no vertedouro. No dia 12 daquele mês, o volume chegou a 215,57 metros. ‘‘Mesmo naquela época não constatamos mortandade de peixes’’, declarou Absy.

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