Estudos realizados pela Hidrelétrica Itaipu indicam que reservatório da usina binacional tem o mais produtivo rendimento de pesca de toda a Bacia do Rio Paraná. As análises contrariam denúncias de colônias de pescadores que buscam na Justiça Federal indenizações pela redução do volume de pesca em consequência da formação do reservatório, em 1982. Uma das colônias, a Z-13 de Guaíra (120 quilômetros ao sul de Umuarama), é acusada pela empresa de ter ‘‘inchado’’ o número de associados, com pessoas que não exercem a atividade, o que serviria para aumentar sua força de pressão e os próprios pedidos de indenização.
A Itaipu está sendo acionada por seis colônias instaladas entre Foz do Iguaçu e Guaíra que, segundo seus diretores, reúnem cerca de dois mil pescadores. Além das indenizações, eles pedem a elaboração de Relatório de Impacto Ambiental (Rima) e Estudo de Impacto Ambiental (EIA) sobre o comportamento da ictiofauna no lago e repovoamento de espécies. Os pescadores, representados pelo advogado Aparecido da Silva Martins, dizem que, ao construir a barragem, Itaipu interrompeu a piracema, o que resultou na redução e até extinção de espécies como dourado, pintado, e jaú (que possuem maior valor comercial).
A versão da empresa refuta as acusações dos pescadores. Segundo o superintendente de comunicação social da hidrelétrica, Hélio Teixeira, estudos da Universidade Estadual de Maringá e de outras organizações indicam que ‘‘não ocorreu nenhuma extinção de espécie’’, nem houve interrupção da piracema. Antes do represamento do rio, teriam sido identificadas 113 espécies, e agora elas seriam 188. Além disso, o rendimento da pesca seria superior - antes de rio ser represado, seriam pescadas 60 toneladas ao ano, e, hoje, 1,5 mil toneladas. A binacional frisa também que seu monitoramento ambiental no lago ‘‘é considerado modelo para o País’’.
Quanto à falta de Rima e EIA, a Itaipu relata que uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 1987, desobriga a usina dessas exigências. A legislação ambiental tornou-se mais rígida e abrangente apenas no ano seguinte, com a promulgação da nova Constituição. A empresa contesta informação das colônias de que duas mil pessoas dependam diretamente da pesca na área, assegurando que os pescadores não passam de 500. Segundo o superintendente de Comunicação Social, um levantamento indica que na Colônia Z-13 há 800 pessoas com ‘‘carteirinha de pescador, quando menos de duzentas realmente exercem a atividade’’.
O presidente da Colônia Z-13, Devaldir Capatti, afirma que havia 129 ‘‘qualidades’’ de peixes antes da formação do lago, e hoje proliferam ‘‘piranhas e arraias’’. Segundo ele, se o volume de pesca cresceu ‘‘foi porque aumentou assustadoramente o número de pescadores, gente que perdeu terras para a Itaipu’’. Capatti garante ainda que, das 800 carteirinhas existentes na colônia, 500 foram emitidas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

mockup