Itaipu moderniza setor administrativo
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Montezuma Cruz<br> Sucursal de Foz do Iguaçu 
A partir de 1997, setores da diretoria técnica e conselheiros da Itaipu Binacional vão trabalhar e se reunir no sexto andar do Edifício da Produção, um prédio de 7 mil metros quadrados de escritórios, no pé da barragem principal da maior hidrelétrica do mundo, no Rio Paraná.
As únicas exceções na mudança da diretoria técnica para o novo local são o laboratório de concreto e os laboratórios de eletroeletrônica e química, que permanecerão nos locais antigos. O de concreto situa-se na margem esquerda, devido às suas necessidades específicas de funcionamento; os outros dois continuarão na margem direita até a abertura de um espaço na área industrial da usina.
O Edifício da Produção, cuja área total soma 10,9 mil m2, será inaugurado oficialmente hoje, com a presença de diretores e conselheiros de Itaipu, brasileiros e paraguaios. Nele ficarão quatro superintendências e assessorias da diretoria técnica.
O edifício faz parte do projeto original da hidrelétrica, foi concluído junto com as obras civis, no início desta década, mas seu funcionamento dependia de investimentos em acabamento. Hoje ele tem moderna fiação elétrica, divisórias baixas, telefonia e informática à altura das exigências atuais.
A mudança dos diversos setores da diretoria técnica, espalhados por toda área do antigo canteiro de obras, deve ser feita em três turmas, a partir de março.
Técnicos da Binacional vão desenvolver agora, em conjunto com a Superintendência de Informática, uma rede de computadores de alta velocidade. Eles permitirão rápido acesso a desenhos e diagramas de qualquer ponto do edifício.
Segundo o assistente da diretoria técnica, engenheiro Júlio César Motta Meireles, até o final de 97 a rede ajudará a eliminar todos os papéis nos mais de 600 postos de trabalho. Até março do próximo ano, a superintendência renovará todo o parque de equipamentos, instalando 519 computadores Pentium. A metade deles substitui velhos 286 e terminais obsoletos.
Apesar do grande impacto na rotina dos escritórios da usina em Foz, Ciudad del Este, Curitiba e Asunción, o desembarque dos Pentium significa apenas a ponta do iceberg, explicou o superintendente de informática brasileiro, Nelson de Marco Rodrigues.
Ele considera que o trabalho de montagem de uma infra-estrutura de comunicação de dados, interligando os diversos postos de trabalho e os escritórios é mais importante do que a chegada dos novos equipamentos. Até o final de novembro a Itaipu instalou 211 Pentium, dos 519 previstos para esta fase. Recepção, testes, e instalação de softwares nos novos aparelhos consumiram 2.542 horas de trabalho.
Na África A Itaipu participou em Maputo, capital de Moçambique, entre os dias 9 e 12 últimos, da Expoelec, exposição e ciclo de palestras visando a promoção do setor elétrico brasileiro na África. Participaram 11 países da África Austral, entre os quais a África do Sul.
O superintendente de Meio Ambiente, Gilberto Canali, fez uma palestra sobre a usina e o ambiente. O setor elétrico brasileiro foi ainda representado pela Furnas, Copel e Eletrobrás.
Segundo Canali, a partir de agora, empresas brasileiras do setor poderão procurar negócios e oferecer serviços aos futuros empreendimentos energéticos projetados para aquele continente. Estima-se que até 2005 a África Austral necessite de US$ 15 bilhões de investimentos para ampliar o fornecimento de energia em suas hidrelétricas e termoelétricas.
Enquanto o setor elétrico brasileiro atende com energia elétrica 96% dos domicílios do País, a África do Sul, nação que mais prospera naquele continente, tem apenas 45% dos domicílios atendidos. A média de domicílios servidos por energia elétrica, nos 11 países da África Austral, fica em torno de 10%, enquanto em Moçambique é de 5%, e em Lesoto, de apenas 2%.


