Itaipu mantém operação de socorro a outras hidrelétricas
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Os técnicos da Itaipu Binacional decidiram continuar a operação que reduz o volume de água do lago por tempo indeterminado. O trabalho está sendo realizado para socorrer os reservatórios de usinas construídas acima da Hidrelétrica de Foz do Iguaçu na bacia dos rios Paraná e Paranapanema, que estão em situação crítica por causa das chuvas escassas dos últimos cinco meses. A medida visa evitar racionamento de energia para a população.
Durante o mês de dezembro, quando normalmente chove em média 200 milímetros em 30 dias, o índice alcançado até agora foi de 50 milímetros. Mas as previsões são animadoras. Com as últimas chuvas, o volume de água que vem de Guaíra em direção à Itaipu subiu para 9,5 mil metros cúbicos por segundo, cerca de 20% superior ao registrado semana passada. Mesmo assim é preciso mais chuva, pois a hidrelétrica de Itaipu utiliza 11,4 mil metros cúbicos por segundo.
As precipitações recentes serviram para estabilizar o nível do lago, que vinha baixando gradativamente. Ontem o índice era de 216,48 metros em relação ao nível do mar, número bem distante dos 220 metros considerados normais pelos técnicos.
Desde 1991, quando todas as turbinas ficaram prontas para funcionar 100%, é a segunda vez que é registrado um nível tão baixo. O recorde de rebaixamento aconteceu por iniciativa da equipe de engenheiros da Itaipu, que precisou realizar obras no vertedouro, deixando o nível do lago em 215 metros.
A hidrelétrica está produzindo energia na capacidade máxima, que é de 10,8 mil megawatts, cerca de 12% a mais que a produção normal. Normalmente, duas das 18 turbinas ficam em stand by, aguardando situações de emergência. Hoje, somente uma está como reserva.
Mesmo assim, os técnicos adiantam que não há motivo para a população se preocupar com racionamento. Com a previsão de mais chuva para os próximos dias e com a ajuda de fatores externos, como o início de férias coletivas em diversas empresas das regiões sul e sudeste, a tendência é normalizar a produção.





