Itaipu inova trabalho de manutenção
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaSem desligamentosDe helicóptero, eletricista troca sinalizadores na linha de transmissãoItaipu, a maior hidrelétrica do mundo, está realizando um trabalho inédito em usinas brasileiras: o uso de helicóptero no trabalho de manutenção da linha de transmissão de energia. Desde sábado, o aparelho está sendo utilizado para inspeção preventiva e troca de sinalizadores de tráfego aéreo numa extensão de dez quilômetros da rede de alta tensão, entre os geradores da usina e a central de distribuição de Furnas Centrais Elétricas.
Construída em parceria entre Brasil e Paraguai, Itaipu bateu, no ano passado, seu próprio recorde mundial de produção de energia: atingiu 81,6 bilhões de kilowatts/hora. Até agora, as operações de manutenção da rede obrigavam o desligamento de todo o sistema, o que poderia comprometer o abastecimento de energia para os dois países.
Com o helicóptero, não precisamos mais desligar as linhas durante o trabalho, explicou Adolfo Sanada, engenheiro mecânico da binacional que está coordenando o trabalho. Pelo método convencional, o funcionário escalava as torres e, com o sistema desligado, deslizava pelos cabos utilizando uma espécie de bicicleta presa com roldanas. Em áreas de acesso mais fácil, os cabos eram abaixados e a inspeção feita no solo.
A utilização do helicóptero permitiu, pela primeira vez desde a inauguração da hidrelétrica, em 1982, a troca dos sinalizadores aéreos - esferas alaranjadas de 50 centímetros que servem para orientar pilotos e evitar o choque de aeronaves com os fios elétricos. No trecho da rede pertencente à Itaipu estão sendo substuídos os 66 equipamentos desse tipo.
A operação envolve muitos riscos. O helicóptero passa a poucos metros dos cabos de transmissão (por onde circula energia suficiente para abastecer uma cidade como São Paulo).
Para trocar os sinalizadores, o helicóptero encosta nos cabos pára-raios - que não são energizados -, localizados a uma altura de cerca de 50 metros (equivalente a um prédio de 15 andares). Preso ao assento por cintos de segurança, o eletricista Nivan Cunha Almeida faz a troca das esferas, que são fixadas com parafusos.
Piloto e eletricista usam roupas especiais, que impedem a passagem da corrente elétrica para o corpo em caso de um eventual contato. Durante a operação também foram feitos reparos em quatro pontos dos cabos pára-raios.
O trabalho, que deveria ser concluído ontem, foi feito pela Monace Engenharia de Eletricidade e Telecomunicações, de São Paulo, única empresa da América do Sul especializada neste tipo de serviço. A Itaipu não divulgou o custo da operação.


