A crise habitacional de Foz do Iguaçu é resultado de um fluxo migratório desenfreado nas duas últimas décadas. O município foi o que mais cresceu no Paraná nos últimos anos. A população subiu de 35 mil para 230 mil habitantes em menos de 26 anos. Dois ciclos econômicos contribuíram para esse crescimento assustador.
O primeiro deles foi o chamado ‘‘boom’’ da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que injetou 100 mil habitantes na cidade entre os anos de 1970 e 1980. O segundo ciclo foi a exportação e o turismo de compras em Ciudad del Este, no Paraguai. O estudo da Prefeitura indica que o consumo acentuou-se a partir daí. Na virada dos anos 70 para 80, 96 mil pessoas incorporavam-se à população de Foz.
A conclusão da obra da hidrelétrica e a derrocada da exportação causada pelo Plano Real trouxeram um amargo resultado: sem ter emprego nem destino, muitas dessas pessoas passaram a sobreviver do mercado informal de trabalho e incharam os bolsões de miséria. Esse, segundo a Prefeitura, é o perfil dos favelados e invasores de áreas públicas ou particulares.
A explosão demográfica de 17 anos impulsionou o setor imobiliário, registrando um acréscimo de 4,940 milhões de metros quadrados de área construída, o equivalente a 123.500 casas populares. No entanto, nada disso foi destinado aos pobres da chamada classe baixa.
A demanda foi absorvida pela classe média-alta, principalmente por empresários de Ciudad del Este, no Paraguai, ligados aos setores de turismo e importação. Os números apontam que pelo menos 15% dos 230 mil habitantes de Foz do Iguaçu estão hoje abaixo da linha de miséria, segundo o mesmo estudo. Aproximadamente 35 mil pessoas vivem em condições subumanas, concentradas em mais de 40 favelas espalhadas em diversos pontos da cidade.

mockup