Itaipu doa comida aos avá-guarani
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Antônio França, de Diamante dOeste 
Ney de SouzaSocorroPreocupação na fazenda Padroeira permanece: comida só dura 15 diasA Itaipu Binacional enviou comida para os 163 índios avá-guarani que estavam passando fome na Fazenda Padroeira, rebatizada pelos índios como Tekoha-A¤tete (Aldeia de Verdade, em tupi-guarani), em Diamante dOeste (a 110 quilômetros de Foz do Iguaçu). Eles foram transferidos no dia 18 de abril do Refúgio Biológico Bela Vista, pertencente à hidrelétrica, para a área definitiva.
Apesar de ter recebido cerca de 800 quilos de alimentos no sábado passado, a comunidade está preocupada. A comida dá apenas para quinze dias, afirmou o cacique Inocêncio Tupã-Rendavy Acosta. Enquanto estavam na reserva, apesar de ter autorização da usina de Itaipu, eles evitavam a caça. Até dezembro do ano passado, cada família recebia uma cesta básica. Porém esse benefício foi suspenso.
Quando foram transferidos do Refúgio Biológico Bela Vista - área ocupada em junho de 1995 por causa da demora na solução para as terras invadidas com a formação do lago de Itaipu -, no dia 18 de abril, as famílias indígenas receberam uma cesta básica.
Ontem, o administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Guarapuava, Vladinei Tadeu da Silva, informou à Folha, por telefone, que a falta de verba está impedindo a assistência aos 6.412 índios atendidos pelo escritório do órgão.
A Itaipu se comprometeu a doar uma cesta básica para cada família avá-guarani por dois meses a partir da transferência. Então, destinamos o atendimento para outras comunidades, afirmou Silva. Segundo ele, o escritório da Funai em Guarapuava (região Centro-Sul do Estado) tem uma dívida de R$ 247 mil, dos quais R$ 2,6 mil são com um comerciante de São Miguel do Iguaçu, que vende as cestas básicas para abastecer as comunidades do Ocoí e de Diamante dOeste.
Dificuldade Os avá-guarani foram presenteados com 40 cabeças de búfalo do antigo dono da Fazenda Padroeira, Nelson Padovani. Porém, os índios não estão conseguindo matá-los. A Polícia Militar de Diamante dOeste doou uma espingarda para que a própria comunidade possa abater os animais, mas os índios a rejeitaram porque não conseguem manusear a arma.
Oito cabeças de búfalo foram vendidas para comprar comida, foices e enxadas. Dois búfalos foram abatidos para consumo e o restante está engordando e dando leite, contou o cacique.
Os novos vizinhos da comunidade avá-guarani dizem que o susto da presença do índio na região passou e que a convivência entre eles é boa. Nos disseram que eles bebiam e faziam bagunça. Mas é o contrário. Os índios dormem e acordam cedo, diz o agricultor Carlos Shinneider, que tem um sítio ao lado da fazenda Padroeira.
Outra pessoa que tem gostado da presença dos índios é Neide de Souza, única comerciante da região. Segundo ela, os índios nunca compraram bebida alcoólica - o que para ela foi uma supresa - e usam todo o dinheiro que conseguem para comprar foices e enxadas.


