Ney de SouzaSolenidadeO presidente da Itaipu no Paraguai, Miguel Luciano Jimenez, e Scalco assinam escritura da área As 20 famílias da tribo Avá-guarani festejaram ontem a assinatura da escritura de compra da Fazenda Padroeira de 720 alqueires, onde serão assentados. As terras estão localizadas nos municípios de Diamante do Oeste e Ramilândia, no Oeste do Paraná e pertenciam à família Padovani. O valor pago pela Binacional foi de R$ 2,8 milhões.
A assinatura foi no Edifício de Produção da Usina de Itaipu. Não houve solenidade e os índios nem foram convidados para acompanhar a formalização da compra. Participaram da assinatura o presidente da Itaipu, Elclides Scalco, e advogados da família Padovani.
Os índios já estão se preparando para a mudança. Logo depois que o cacique Inocêncio Acosta soube da assinatura, reuniu a tribo e fumaram um cachimbo usado para comemorações. Atualmente, os índios vivem de caça, pesca e donativos entregues pela Funai. Apesar das privações que passou durante a longa espera, a tribo não desmatou sequer um palmo de terra do Refúgio Biológico de Bela Vista.
A questão dos Avá-guaranis se arrastava desde de 82, quando foi formado o reservatório da Itaipu. Toda a área de 1,5 mil hectares foi inundada e em troca receberam 250 hectares, na localidade do Ocoí, município de São Miguel do Iguaçu. Em junho de 1995, com a área reduzida, os índios invadiram e se instalaram no Refúgio Biológico da Binacional, próximo à usina.
O antropólogo Rubem Thomaz de Almeida foi contratado pela empresa para localizar uma área ideal para a sobrevivência dos índios, levando em conta a história e as necessidades da comunidade.
A área da família Padovani foi aprovada pelo antropólogo e pelos índios que a consideraram ‘‘um paraíso’’. A Itaipu repassará os 720 alqueires ao Patrimônio da União, enquanto um decreto presidencial criará esta nova reserva indígena. Cabe à Funai a responsabilidade de marcar a data e promover o translado dos cerca de 200 ‘‘ava-guaranis‘‘ à nova reserva.

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