''Isso era terra de ninguém''
As famílias despejadas em Três Barras do Paraná produziam milho, mandioca, feijão e arroz, e criavam porcos e galinhas. Elas viviam em situação de pobreza, mas não passavam fome. Aqui era terra de ninguém, tava tudo abandonado quando a gente chegou, disse Celso Nunes da Silva, 36 anos, pai de quatro crianças. Exibindo uma espiga de milho, ele acrescenta que as plantações davam pra comer e até pra vender um pouquinho, lamentando ter que deixar para trás lavouras sem colher. A mulher, Generina, 28, grávida de dois meses, conta que os filhos, que tremiam de frio, ficaram muito assustados e até choraram quando chegaram os policiais, mas eles não molestaram ninguém.
Celso diz não ter onde encostar a família. Onde me largarem tá bom, na beira do asfalto serve. Generina, porém, lembra que com frio e chuva na beira do asfalto não dá. Em outro rancho, Sirlei de Lima, 38 anos, e o marido Agenor, 32, dizem que também não têm para onde ir. Ela chora e pede que o governo tenha dó dos pobres, pelo menos uma vez na vida. Em um armário aos pedaços estavam colados decalques de campanha do governador Jaime Lerner (PFL). Foi a criançada quem botou, disse Sirlei. (P.P.)





