Israel reconhece rapto do menino Lucas
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Paulo Pegoraro 
Edson MazzettoApreensivosO pai adotivo José Darci Bezerra e o advogado Carlos Cezário acompanharam o julgamento em TelavivA Justiça de Israel reconheceu ontem que Lucas Lenon Sena, de 8 anos, foi raptado em Cascavel, em janeiro de 1995 pela mãe biológica Angelita de Souza Sena, 25 anos, e levado de forma irregular para aquele país. Este é o resultado mais importante obtido pelos pais adotivos, o casal José Darci Bezerra, 42 anos, e Ana Maria Bezerra, 42, que desde o rapto vem lutando pela repatriação do menino. A decisão judicial, em Telaviv, capital de Israel, foi acompanhada por José Darci e seu advogado, Carlos Cezário (que transmitiu a informação para Cascavel).
Angelita de Souza Sena, que é sobrinha de Ana Maria, entregou o filho ao casal Bezerra quando ele tinha 35 dias de vida, porque era mãe solteira e sofria rejeição pela família. Depois, passou a reivindicar a posse da criança, que foi assegurada ao casal pela Justiça de Cascavel. Por isso, decidiu raptá-lo. Angelita posteriormente mudou-se para Israel, já como companheira de Moshe Sarussi, um israelense apontado pelos Bezerra como envolvido no tráfico de mulheres brasileiras para prostituição no Oriente Médio.
Em uma das viagens a Cascavel para ver Lucas, autorizada pela Justiça, Angelita raptou-o e levou-o para Israel, usando documentos que teria obtido de forma irregular, principalmente o passaporte do menino, segundo o advogado Carlos Cezário.
Depois de várias tentativas, a Vara de Família de Telaviv decidiu realizar audiência entre as partes, o que ocorreu ontem às 4 horas (horário de Brasília), com presença também de Angelita Souza Sena e seu companheiro. Além do reconhecimento do rapto, foi designado um mediador para a questão, que acompanhará Lucas até a decisão final.
Hoje deve ocorrer nova audiência para instrução do processo, mas a decisão ainda deve demorar. José Darci Bezerra assegura que Lucas Lenon sempre tratou ele e a mulher como pais e que não demonstrava vontade de permanecer com a mãe biológica.
Ele teria manifestado isso ainda no ano passado, quando José Darci conseguiu falar com Lucas por telefone. O pai adotivo diz que descobriu o telefone da casa onde o menino estava, e quando ligou foi ele que atendeu, casualmente. Deu para falar pouco, pois a Angelita interrompeu a ligação, mas o Lucas disse que queria voltar, afirma José Darci Bezerra.


