Sem frequentar aulas há cerca de três semanas, a menina Juliana Santana Silva, 13 anos, é um dos exemplos de moradores do Conjunto Habitacional Jamile Dequech (Zona Sul) que enfrentam dificuldades geradas pelo isolamento do bairro. A escola estadual Jamile Dequech não dispõe de vagas suficientes para todas as crianças e a distância de outros conjuntos faz com que muitas delas desistam de percorrer até quatro quilômetros para chegar à escola mais próxima, na Gleba Cafezal, também na Zona Sul.
Juliana e mais oito crianças do bairro aguardam a abertura de mais vagas na escola que já atende 150 estudantes. Desempregada, Marilda Santana Pereira, mãe de Juliana, diz que não pode pagar transporte para que a filha frequente as aulas na escola anterior, no Jardim Ideal (Zona Leste). ''Não posso pagar transporte, então tive que deixar meu filho mais velho na casa da minha mãe, para que ele possa fazer as provas do supletivo. Minha filha está sem escola há 20 dias'', explica Marilda.
Segundo a diretora Ana Maria de Lima Migliacio, os problemas mais graves são com as turmas de 6 e 7 séries. ''Nas outras séries ainda temos vagas disponíveis, mas nestas duas turmas a situação é crítica'', afirma, alertando para o fato de que mais 264 casas foram entregues no conjunto. ''No último final de semana, mais 10 famílias mudaram-se para cá. Quando os outros moradores vierem, vai ficar pior'', avisa.
Ana Maria conta ainda que um abaixo assinado organizado pela Associação de Moradores do bairro já foi encaminhado à secretaria de Estado de Educação, pedindo a construção de uma escola no conjunto. As cinco turmas atendidas pelos Estado estudam no mesmo prédio onde funciona a escola municipal Irene Aparecida da Silva. ''Pelo que sei, o projeto foi levado à secretaria em 2000'', diz Ana Maria. Na escola do Estado, sala de professores, secretaria e depósito funcionam todos no mesmo cômodo.
Na secretaria Estadual de Educação, os funcionários que atenderam a reportagem não conseguiram localizar o projeto. Segundo uma das funcionárias, até o arquivamento da proposta já pode ter ocorrido, pois ela foi apresentada na gestão anterior.
Uma reunião entre o diretor do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Rony dos Santos, e a secretária municipal de educação, Carmen Sposti, foi realizada na manhã de ontem, no intuito de levantar as possibilidades de ajuda por parte da prefeitura aos alunos da escola estadual.
O diretor do Núcleo pediu à secretaria a disponibilização de um ônibus para transporte das crianças para a Escola Estadual Professora Cleia Godoy Fabrini da Silva, no Jardim Tarobá (Zona Sul). ''É mais longe, mas é a única escola que teria vaga'', afirmou Rony. ''Nosso serviço de transporte é terceirizado. Não podemos colocar um ônibus para as crianças agora. Mas esperamos ter uma solução, em caráter emergencial, nos próximos três dias'', garantiu a secretária.
Segundo Rony, a construção de uma nova escola na área depende do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), órgão ligado à secretaria estadual. ''Mas ficaria pronta somente no ano que vem, já que o prazo é de sete a nove meses a partir do início da construção'', revelou. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

mockup