A afirmação dos diretores do Instituto de Criminalística (IC) sobre a falta de isolamento dos locais onde acontecem crimes em Londrina foi comprovada durante um tiroteio ocorrido anteontem. A Folha flagrou policiais militares retirando um projétil de uma coluna de madeira, usando uma faca de cozinha e um martelo.
A reportagem também verificou que não havia faixas de interdição para conter os curiosos no local, reforçando a tese do diretor do IC em Londrina, Darci Dória, e do chefe-adjunto, Geraldo de Oliveira, que verificaram um alto índice de provas mal recolhidas e locais sem análise inicial de peritos. ''Pelo menos 60% dos locais não estão sendo preservados para a coleta de pistas. Temos casos de policiais recolhendo a arma do crime para levar à delegacia e pessoas circulando sem autorização'', comentou Dória, durante o encontro que reuniu a ''cúpula'' da segurança pública da cidade, realizada anteontem no Fórum.
Dória e Oliveira não especificaram se a ineficiência seria da Polícia Civil ou Militar. Durante a reunião, o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, disse que o assunto deveria ser tratado em ''reuniões separadas'' dos demais órgãos (no encontro do Fórum, estavam juízes, promotores e representantes da Secretaria de Ação Social e do Conselho Comunitário de Segurança). ''Temos que lavar a roupa suja em outro lugar. Devemos convocar o pessoal da Civil, da Criminalística e também do IML (Instituto Médico Legal) para discutir o assunto'', disse anteontem Guimarães.
Até a tarde de ontem, nenhuma reunião havia sido agendada pelas corporações e polícia científica. Durante a reunião, foi solicitado pelo diretor do IML, Ademar Consalter, que os delegados reconsiderassem as liberações de termos circunstanciados, considerados por ele ''excessivos'' em casos envolvendo menores drogados.

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