As famílias que vivem às margens do trecho de terra da PR-092, entre Jaguariaíva e Doutor Ulysses, de tanto se frustrarem já não acreditam mais nas promessas de recapeamento da rodovia. Vivendo no isolamento, elas têm apenas a solidariedade dos vizinhos mais próximos para contornarem problemas como a insegurança, a falta de posto médico e a precariedade para chegarem até as cidades mais próximas.
Na beira do caminho, a criançada espera agitada a chegada da Kombi do transporte escolar que os leva até a escola mais próxima porque o dia ensolarado é garantia de viagem tranquila. Bem diferente de quando São Pedro manda chuva para região. Nestes dias, a escola fica vazia porque a maioria dos alunos nem se arrisca a sair de casa.
Realidade que o agente florestal Alceu Ferreira, morador do povoado do Prado que nasceu e se criou na região, engole a contragosto. Ele tem filhos em idade escolar e diz que as crianças precisam ser persistentes para não desistirem das aulas. ''Nós aqui somos abandonados. Faz hora que tem esse comentário de que vão asfaltar a estrada mas até agora nada'', indigna-se. A dificuldade de acesso, segundo o agente florestal, prejudica até as campanhas de vacinação, tanto as voltadas para as crianças pequenas quanto para os idosos. Quando é possível, quem pode pega carona para se consultar nas cidades mais próximas.
Após se aposentar como porteiro de prédio na Capital e atraído pela aparente tranquilidade do lugar, Bertolino de Oliveira e Silva, decidiu se mudar com a mulher para uma pequena propriedade comprada por R$ 12 mil. A vida rural é tudo que ele gosta mas só não imaginava que continuaria tendo problemas de cidade grande. ''Umas semanas atrás, nos saímos de casa e quando voltamos os ladrões tinham levado quase tudo de valor. Até meu par de chinelos e meu chapéu levaram embora'', denuncia. Desde então, ele revela que tem evitado deixar a propriedade sem ninguém e quando isso acontece avisa o vizinho mais próximo para ficar de olho.
Dono do pequeno armazém da localidade, Paulo de Melo passou todos os seus 76 anos na região. Parte dos filhos se mudou para a cidade mas ele resiste. Acostumado com promessas não cumpridas, ele ensina que não deve se acreditar nelas. ''Com o telefone celular mesmo: fincaram uns postes aí que já estão apodrecendo e até hoje não vieram instalar nada'', finaliza. (L.A.)

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