Islã não impede independência feminina
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de outubro de 2001
Maranúbia Barbosa<br> De Londrina 
Os estereótipos que conferem à mulher muçulmana uma imagem opressora não valem para a fisioterapeuta e professora Firdouza Waggie, da África do Sul. Ela esteve em Londrina na semama passada participando do Network, um congresso internacional sobre projetos e experiências comunitárias na área da saúde que reuniu dezenas de profissionais de vários países. Firdouza, que é casada e tem três filhos, veio ao Brasil sozinha e demonstrou que a religião, quando é praticada sem radicalismo, não interfere na independência feminina.
Como a grande maioria das mulheres islâmicas, a fisioterapeuta, que dá aulas na Universidade de Belville, cidade sul-africana, só se apresenta em público com os cabelos cobertos por um lenço. O adereço, que ela fez questão de usar durante o congresso, não escondeu a espontaneidade e alegria que caracterizam o povo africano. Segundo Firdouza, a imagem negativa que o islã adquiriu depois dos atentados aos EUA, pode ser revertida se as pessoas respeitarem as individualidades e se imbuírem de tolerância. Na opinião dela, o Alcorão permite interpretações das mais diversas, gerando dúvidas naqueles que não conhecem profundamente o islã. Ela disse que o fato de as mulheres orarem separadas dos homens nas mesquitas leva as pessoas a pensarem que o islamismo diminui a participação feminina fora do âmbito da religião.
Firdouza disse que se sente triste por ver que pessoas inocentes, notadamente mulheres e crianças afegãs estã pagando por problemas de ordem política. De acordo com a professora, a opressão feminina é uma realidade comum em todos os países do mundo. A desigualdade de oportunidades, tanto na vida profissional quanto na educacional e social, pode se agravar quando determinados grupos utilizam-se da religião como forma de repressão. Ela citou o regime político do apartheid, que até há pouco tempo segregava negros e brancos na África do Sul.
Entusiasmada com tudo o que viu em Londrina, Firdouza destacou os meios de transporte existente na cidade, a conservação das ruas e também das rodovias. Ela afirmou que as falhas do sistema de saúde pública também existem em seu país. Firdouza disse que ficou encantada com os brasileiros, ''alegres e amigáveis'', elogiou.


