Londrina - A pequena Isabelly Vitoria Pardim de Deus Mello, de 1 ano e 9 meses, recebeu alta hospitalar na tarde de ontem, depois de muito sofrimento. Uma ambulância da Secretaria Estadual de Saúde transportou a criança do Hospital Infantil de Londrina para a casa da família, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), onde deve permanecer em internação domiciliar.
Isabelly nasceu em 2013 e teve de permanecer por um ano e quatro meses em hospitais de Londrina, Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba) e Curitiba, depois que exames constataram que ela nasceu com uma imunodeficiência primária combinada gravíssima, que impedia a produção de anticorpos e de defesas contra quaisquer doenças.
Para corrigir o problema, a mãe dela, Dieid Daiane Pardim de Deus Mello, de 21 anos, se ofereceu como doadora de medula óssea, mas a cirurgia só poderia ser realizada no Hospital das Clínicas, em Curitiba. Ela ficou 173 dias internada em Londrina, até que a família conseguiu uma liminar da Justiça que obrigava o governo do Estado a garantir o procedimento. Ela ainda teve de esperar por mais um mês em Campo Largo antes de receber o tratamento especializado no HC. Depois do transplante, realizado em agosto do ano passado, começou a luta para corrigir outro problema. O pulmão dela estava fraco e só funcionaria normalmente com um marca-passo diafragmático, que atua como um respirador artificial.
Como o equipamento é caro, avaliado em aproximadamente R$ 500 mil, a família solicitou que o aparelho fosse obtido por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido, porém, foi negado. A família não teve outra alternativa a não ser entrar na Justiça para garantir o direito ao aparelho. Duas decisões favoráveis garantiram a aquisição do aparelho, mas quando chegou, foi implantado em outro paciente. O outro equipamento solicitado foi enviado dos Estados Unidos para a Argentina por engano e só quando foi trazido ao Brasil a cirurgia pôde ser realizada, no dia 25 de fevereiro.
A partir dessa cirurgia, Isabelly precisou se recuperar. No dia 25 de maio recebeu alta do Hospital das Clínicas de Curitiba, foi transferida de avião para o Hospital Infantil de Londrina, onde permaneceu até a tarde de ontem.
Na saída do hospital, a mãe dela estava emocionada. Com lágrimas nos olhos, mal conseguia conter a alegria por finalmente poder retornar para casa, em Rolândia, com a filha. "Estou muito feliz, não estou nem acreditando. Estou muito emocionada de levá-la para casa. Vamos dar bastante amor, carinho e atenção. Os médicos falaram que ela precisa ter os mesmos cuidados que recebeu no hospital", declarou.
A professora aposentada, Marialva Plaisant, 65 anos, que se apresentou à imprensa como "avó do coração" de Isabelly, também estava emocionada quando viu a cena do bebê entrando na ambulância com destino o seu lar. "Sentimos a graça do Senhor. É um momento de apreensão, de fé, de esperança na medicina, fé em Jesus. Cremos em Deus e vai dar tudo certo", afirmou.

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