Irritados com o transtorno, moradores criticam Memorial
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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A menos de um mês do prazo final para entrega do Memorial do Pioneiro, na Rua Maestro Egídio do Amaral, moradores e comerciantes dos arredores da Concha Acústica (centro de Londrina) estão cada vez mais irritados com os transtornos provocados pela obra. E pior, muitos acreditam que poderão surgir novos problemas após a conclusão dos trabalhos.
Proprietária de uma locadora em frente ao futuro Memorial, Zenilda Oliveira, confessa que já chorou muito desde que os operários começaram a retirar os paralelepípedos. ''Já perdi a conta de tanto pano de chão que joguei fora, porque quando está sol enche tudo de pó e quando chove é o barro'', lamentou.
Desde que a obra começou, no início de março, ela disse que o movimento na locadora caiu 70%. ''Meu marido reclama que não está tendo mais como pagar o aluguel'', afirmou Zenilda. E ela acredita que a situação, mesmo após a conclusão do Memorial, pode continuar difícil para quem mora ou trabalha na região da Concha. ''No início, pode até ficar lindo, mas depois acho que vai virar uma coisa, porque a noite aqui já virou dormitório de marginal'', criticou, completando que a praça também é frequentada por usuários de droga.
Quem convive com a rotina dos moradores dos vários prédios dos arredores também já está cansado de ouvir reclamação. ''Aqui, a gente virou caixa de descarga'', confessou o porteiro de um edifício residencial, que preferiu não se identificar. ''Não vou falar mais nada sobre essa obra, porque já foi falado tanto coisa que nem adianta mais'', comentou um morador, também sem se identificar.
Os próprios operários da obra também aproveitaram a reportagem para reclamar sobre uma árvore que ameaça cair sobre carros e pessoas na rua Senador Souza Naves. A Secretaria Municipal de Ambiente garantiu resolver o problema até sábado.
Uma das principais vozes que se ergueram contra o Memorial, desde que os trabalhos começaram, a moradora Maria Aparecida Felizola continua sua cruzada. ''Estamos há mais de três meses vivendo nessa agonia'', justificou.
Ela afirmou que depois da incursão dos fiscais da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e da autuação da empreiteira responsável, ''parece que a obra começou a caminhar mais rápido'', mas também teme o desfecho dos trabalhos: ''Depois que ficar pronta é que temos que ver como vai ser, se não vai atrapalhar mais ainda nós, moradores''.
O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, garantiu à Folha que, por enquanto, está mantido o cronograma inicial para conclusão do Memorial até o final de julho. Para a Prefeitura, destacou o secretário, ''está tudo caminhando normalmente'' na obra. Sobre a autuação da empreiteira responsável, o secretário afirmou que a Prefeitura não teria nem como nem por que estabelecer uma punição neste momento. ''Nossa precaução é o contrato que temos com a empresa, onde pagamos um valor para que a obra seja realizada. A Prefeitura não adianta recursos. A empreiteira recebe por aquilo que realiza'', apontou. De acordo com Freitas, até o momento foram pagos 18% do total de R$ 131 mil que serão gastos.


