Dirigir é estressante e pode causar morte, não só em acidentes. Uma briga de trânsito em Botucatu, interior de São Paulo, no último domingo, e outra discussão que terminou com disparo de pistola em Londrina, no mês passado, provam isso.
Na mais recente tragédia, decorrente de intriga no trânsito em Botucatu, o motorista Jonas Braga de Albuquerque, 44 anos, foi acusado de matar a tiros Adriano Antonio dos Santos, 28. Depois de ser agredido, Jonas teria buscado um revólver e atirado nos agressores. Adriano foi atingido por uma bala no peito e morreu. Seu irmão, menor de idade, que participou das agressões, não foi ferido.
Para a psicóloga Suzy Cristine Santos, uma das principais formas de se evitar uma discussão de trânsito é a empatia. ''A pessoa tem que se colocar no lugar do outro. Se ele deu uma fechada, está correndo, esse alguém está com um problema, não está bem e não podemos nos indispor por causa disso. A pressa, a raiva e o estresse prejudicam, primeiramente, nós mesmos'', afirma.
De acordo com Suzy, as causas de discussões e brigas de trânsito são encontradas no estilo de vida que predomina atualmente. ''Estamos cada vez mais individualistas, egoístas'', lamenta.
Segundo o capitão Ricardo Eguedis, porta-voz da Polícia Militar, não há estatísticas relacionadas a brigas e discussões de trânsito em Londrina. ''Normalmente essas brigas são rápidas e a polícia acaba não sendo chamada, a não ser em casos mais graves, quando envolve arma de fogo e briga corporal'', afirma.
Para evitar discussões no trânsito, Eguedis recomenda que os motoristas dirijam com tranquilidade. ''Respeitando o outro condutor ele será respeitado'', comenta.
Essa regra não foi seguida no mês passado, quando uma discussão de trânsito entre uma policial civil, de 46 anos, que estava dirigindo um carro à paisana, e um motociclista, Juarez Alves, 40, por pouco não terminou em morte. A investigadora atirou nas costas de Alves com uma pistola .40.
Foi no dia 19 de julho, quando o porteiro e eletricista Juarez Alves conduzia sua moto pela área central de Londrina e afirmou ter tomado uma ''fechada'' do carro da policial civil. ''Depois eu alcancei ela no sinaleiro da Segipe com Pernambuco, parei do lado dela e disse: ''você está doida?' e fui um pouco mais para frente esperar o sinal abrir'', relata ele. Quando a luz verde acendeu, Juarez acelerou e em seguida sentiu o tiro.
De acordo com o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, William Douglas Soares, que é responsável pela investigação do caso, o inquérito está em fase de conclusão. ''Falta apenas o laudo de lesão corporal'', aponta.
No dia 20 de agosto termina o prazo para que o inquérito seja concluído, mas o delegado afirmou que se até lá o laudo não estiver pronto, pedirá a prorrogação da investigação. De acordo com a assessoria da Polícia Civil, a investigadora está afastada e passa por exames psicológicos em Curitiba. A Corregedoria analisará o caso após a conclusão do inquérito policial.

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