Sid Sauer
De Campo Mourão
O posto da 8ª Circunscrição Regional do Trânsito (Ciretran) em Engenheiro Beltrão (30 km ao norte de Campo Mourão) foi fechado depois de várias denúncias de irregularidades contra o chefe do posto, José Santiago de Mendonça. Ele é acusado de extraviar documentos e de ‘‘sumir’’ com o dinheiro de taxas que eram pagas no posto de Engenheiro Beltrão, mas que não eram recolhidas em Campo Mourão.
‘‘Achamos melhor afastar o funcionário e fechar o posto para não aumentar os problemas’’, explica o chefe da Ciretran de Campo Mourão, Sidnei Augusto Karas. A maior parte das denúncias acusam Mendonça de ter desaparecido com o dinheiro dado para o pagamento de taxas de até R$ 50,00, como a taxa de transferência de veículos (R$ 36,09), mas ele também foi acusado de não dar baixa em multas de outros estados, em valores de até R$ 980,00. Ao todo, existem cerca de 150 denúncias contra Mendonça.
Os primeiros levantamentos da auditoria realizada pelo Detran mostra que os procedimentos irregulares começaram há cerca de um ano e três meses, mas o caso só começou a ser apurado há 90 dias, quando as reclamações começaram a chegar ao órgão.
‘‘Os usuários perderam a paciência’’, conta Karas. As queixas demoraram para aparecer porque Mendonça dizia aos usuários que a culpa era da lentidão na Ciretran de Campo Mourão.
‘‘Segundo as denúncias, ele chegou a dizer que os documentos estavam demorando para sair em função de uma auditoria instalada na Ciretran’’, ressalta Karas. A 8ª Ciretran, de fato, passou por uma auditoria no início do ano, mas o chefe do órgão lembra que as investigações foram feitas no setor de habilitação. ‘‘O posto de Engenheiro Beltrão cuida apenas de CRV (Certificado de Registro de Veículos), que é outro setor’’, frisa Karas.
Mendonça é funcionário contratado há 12 anos pelo Detran para atender ao posto de Engenheiro Beltrão. ‘‘Ele tinha credibilidade da população’’, diz Karas. Com o afastamento preventivo dele, o posto deverá ficar fechado por mais de 15 dias, pelo menos. Nesse período, um funcionário está sendo treinado para trabalhar no local. A Folha não conseguiu entrar em contato com Mendonça – na casa dele, ninguém atende aos chamados telefônicos.

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