Irmãos celebram formatura na UEL
Londrina - Foi embaixo de chuva que um grupo formado por 11 irmãos se reuniu ontem no calcadão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) para tirar fotos e celebrar. Filhos de Albertina Silva de Moura e Bento Dias de Moura, ambos já falecidos, os animados irmãos Moura aproveitaram o feriadão para se reunir e registrar a imagem que concretiza a realização do maior sonho dos pais.
Ainda na década de 70, o farmacêutico autodidata Bento traçou para os filhos um plano ambicioso: todos eles iriam se formar na UEL. O patriarca não viveu para ver o sonho realizado. Faleceu vítima de um infarto quando os dois filhos mais velhos estudavam medicina. Com muita garra e perseverança, a dona de casa Albertina continuou lutando para garantir um diploma a cada filho. Demorou, mas ela conseguiu. João (médico), Mateus (médico), Angélica (psicóloga), Marcos (médico), Lucas (dentista), Salomé (enfermeira e psicóloga), Pedro (dentista), Isabel (enfermeira), Ester (educadora física), Ezequias (dentista) e Dulcinéia (engenheira) se graduaram pela Universidade Estadual de Londrina e, ontem, se reuniram para tirar a foto histórica de todos com os diplomas, em uma bela homenagem os pais.
A ideia de fazer a reunião partiu do primogênito João, que ao completar 60 anos escreveu uma carta aos irmãos. "O tempo estava passando e a gente não conseguia se reunir para tirar a foto. Escrevi lembrando que estávamos todos vivos e precisávamos aproveitar esse tempo", conta ele, que foi também o irmão que veio de mais longe para o encontro, do município Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. A última vez que eles tinham estado todos juntos foi em 1992, em uma festa de Natal.
Salomé "comprou" a ideia da reunião e assumiu a organização do evento. Criou um grupo no Whatsapp, organizou a logística da festa e pensou até em detalhes como os brindes personalizados que seriam oferecidos a todos. "Além dos presentes, fizemos uma árvore genealógica com o nome de toda a família. Todo mundo vai receber um CD com muitas fotos", conta. Cinco dos irmãos moram em Londrina. Os outros vieram de Apucarana, Curitiba, Jundiaí e Ribeirão Preto, além da Bahia.
A imagem oficial, claro, foi tirada na UEL, onde os 11 filhos do casal posaram com seus diplomas. "Meu pai morreu quando eu tinha 19 anos. Era o filho mais velho, pensei em abandonar a faculdade, mas minha mãe não aceitou. Um irmão foi ajudando o outro e conseguimos todos nos formar", comemora. Ester e Dulcinéia foram as últimas a receber o diploma. "Foi quando nos formamos que minha mãe ficou plenamente realizada", conta Dulcineia.
A preocupação com a educação, aliás, está entre as mais fortes lembranças dos Moura. Eles contam que, na rotina familiar, o pai sempre designava um dos mais velhos para ajudar os mais novos com os estudos. Além disso, fazia competição de xadrez e leitura entre todos e incentivava que frequentassem a Biblioteca Municipal. Outro ritual era conferir, mensalmente, os boletins escolares de cada um dos 11 filhos. "Quando eu me formei, minha mãe chorou muito, lamentou o fato de meu pai não estar vivo para comemorar. Disse a ela que ele devia estar vendo", conta João.
Os filhos recordam que a matriarca tem uma história de superação até com relação à tipagem sanguínea. Nascida com o fator Rh negativo, ela teve alguns filhos com o Rh positivo e, apesar das estatísticas apontarem para a probabilidade de ter filhos com eritroblastose fetal, os onze sobreviveram ser qualquer indício da doença.
Por conta de uma história de luta e dedicação, os pais não poderiam faltar na foto. Fizeram-se presentes por meio de retratos tirados quando ainda estavam vivos.