Irmãos cantam e encantam no Calçadão
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sábado, 16 de dezembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Alguns acordes tirados ao acaso de um velho violão, um pot-pourri com trechos de canções clássicas mescladas a frases de pouco sentido, figurino precário, coreografia simples e uma vontade imensa de viver de e para a arte. Com estes ingredientes, três irmãos saem diariamente de um bairro carente de Londrina e vêm para o Centro, onde passam as tardes tentando chamar a atenção dos que passam por ali. Na maioria das vezes, além da atenção eles conseguem despertar a simpatia da população, que a demonstra em moedas e notas de R$ 1,00.
O mais velho, do alto dos seus 13 anos, é todo cuidados com os caçulas. Não deixa que saiam de perto, não deixa que gastem o suado dinheiro com alimentos que não saciem a fome. É ele quem escolhe as músicas, cria cada movimento, enfeita os irmãos, vai a sebos garimpar fitas cassete. ''Sonho em ser ator. O meu irmão também. Minha irmã quer ser bailarina.'' O irmão tem 8 anos e a irmã tem 6. Juntos, eles formam a ''Banda Negro Preto''.
Nestes dias que antecedem o Natal, os irmãos aproveitam o grande movimento do Calçadão para tentar conseguir uma renda extra, que quem sabe, viabilizará a compra de um novo violão. O instrumento utilizado atualmente pelo trio foi doado por uma conhecida, que mudou-se para Curitiba.
Eles contam que vêm todas as tardes do Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul) com a mãe, que trabalha como diarista. As manhãs, garantem, são dedicadas à escola. Em meio ao vai-e-vem de pedestres, eles se concentram, olham um para o outro, decidindo o momento exato de abrir o pequeno show. O adolescente é quem começa: ''Quem me ensinou a nadar, quem me ensinou a nadar, foi, foi, marinheiro, foi os peixinhos do mar... / Borboletinha, tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha... / Dim, dim, dim... Passe as férias no Caribe, na Agência Turismo e Ação, por férias inesquecíveis, embarque neste avião...''
Segundo informações do Conselho Tutelar da Zona Sul, irmãos e mãe estão inseridos nos programas sociais desenvolvidos no município e vêm sendo acompanhados por conselheiros e pelo Projeto Sinal Verde. O adolescente nunca teve aulas de violão, mas já foi encaminhado à Escola Municipal de Circo, o que pode tornar mais próximo o seu sonho de profissionalização.


