Irmãos acusam policiais militares de torturta
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quarta-feira, 02 de julho de 2003
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Os irmãos João Carlos de Oliveira Silva, de 44 anos, e Leonel de Oliveira Silva, 33 anos, acusaram, ontem, dois policiais militares por tortura. Segundo a denúncia, os PMs teriam torturado os irmãos violentamente na última sexta-feira. João Carlos está com o braço e a perna esquerdos quebrados e reclama de dores nas costas e estômago, além de não estar ouvindo bem com o ouvido esquerdo por causa dos chutes que teria levado na cabeça. Leonel está com uma lesão no braço esquerdo e apresenta queimaduras no rosto, que teriam sido causadas por um spray utilizado pelos PMs.
A queixa foi registrada formalmente no sábado, no 9º Distrito Policial. Ontem de manhã os dois fizeram exame de lesões corporais no Instituto Médico-Legal (IML) e compareceram ao Comando de Policiamento da Capital (CPC), onde foram ouvidos pela Central de Inteligência da PM. De acordo com o major Roberson Luiz Bondaruk, chefe da Comunicação Social da PM, o CPC já determinou as primeiras medidas para investigar o caso: verificação da identidade dos dois PMs acusados e abertura de inquérito policial militar (IPM) para investigar se houve prática de crime de natureza policial. O inquérito pode demorar até 60 dias.
Segundo João Carlos, a confusão começou por volta de 23 horas de sexta-feira, quando ele e seu irmão estavam voltando para casa, em um condomínio na Vila Sandra, no Sítio Cercado. ''Quando chegamos, o namorado da filha da minha mulher estava lá com uma gangue, que quis nos expulsar de casa'', disse. Ele conta que tiveram que sair correndo e ficar um tempo pela rua para fugir do grupo. Quando tentaram voltar, o porteiro avisou que tinha recebido ordens proibindo a entrada dos dois.
A ordem teria partido de outra enteada de João Carlos, moradora do mesmo condomínio e casada com um soldado da PM. Na rua, João Carlos disse que uma viatura da PM os cercou, ''de repente''. ''Eles desceram gritando, dizendo que iam nos bater para eu aprender a não bater mais em mulher, e começaram a nos espancar'', contou. Segundo João Carlos, além do marido da enteada, outro soldado estava na viatura e também participou da tortura. Ele nega que tenha batido na enteada, como teria afirmado o PM.
Segundo ele, os policiais teriam posto os dois no camburão e dirigido-se à casa de João Carlos, onde teriam pego seus pertences e jogado no carro da polícia. Em seguida, teriam seguido para um local desconhecido. ''Foi lá que eles nos quebraram'', disse. Na manhã seguinte, os dois ficaram sabendo por populares que estavam nas proximidades da represa de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com o major Bandaruk, o IPM pode resultar na expulsão dos policiais da corporação caso fique comprovado que eles agiram em desacordo com suas funções. ''É preciso apurar o que eles fizeram, se se afastaram de suas atividades, se usaram a viatura e tempo de serviço para um acerto de contas'', explicou. Além da investigação dentro da PM, em caso de abuso de autoridade os dois também podem ser indicidiados em inquérito da Polícia Civil, com possibilidade, inclusive, de serem presos.


