Irmãos acusados de matar Cristian depõem no Fórum
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Luka Morais 
Londrina
Marcos BorgesDefesaJoel Queiróz afirmou, em depoimento, que não estava armadoOs irmãos Joel e Rubens Mendes Queiróz, 30 e 32 anos respectivamente, que respondem pela morte do jovem Cristian Moretto, 18 anos, foram interrogados ontem pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, Jurandir Reis Junior. Os irmãos foram denunciados por homicídio qualificado por motivo fútil, por terem exposto a vida de outros ao perigo e por tentativa de homicídio contra outros dois jovens. O tiroteio aconteceu em julho do ano passado em uma lanchonete da Vila Siam (zona leste). Cristian Moretto morreu em abril deste ano, vítima de complicações causadas pelo tiro que recebeu nas nádegas.
Marcos BorgesSem alvoRubens Queiróz disse ter atirado a esmo dentro da lanchonetePais e amigos de Cristian permaneceram no Fórum durante o interrogatório, que começou após às 9 horas e terminou por volta das 11 horas. A advogada da família de Cristian, Rossana Karatzios, disse que Joel e Rubens não mantiveram o teor dos depoimentos prestados durante o inquérito policial, apresentando algumas contradições, mas ficou claro o interesse em derrubar a acusação de co-autoria no crime.
No inquérito policial Joel e Rubens confessaram que atiraram nos rapazes e alegaram que Cristian havia mexido com a moça que os acompanhava. Os dois irmãos, segundo testemunhas, estavam armados. O primeiro tiro atingiu Cristian Moretto nas nádegas. Outras duas balas acertaram Charles Roger da Silva, amigo de Cristian, na boca e na altura do ombro. Um terceiro tiro atingiu Edenildo Rodrigues na barriga.
Marcos BorgesDorFamília de Cristian: justiçaNo interrogatório de ontem, Joel disse que não estava armado. Já Rubens afirmou que atirou a esmo e que havia na lanchonete outra pessoa armada que teria disparado os tiros. Ele afirmou que usou a arma de Joel. Eles estão tentando afastar a acusação de co-autoria no crime, que agrava a situação para os dois. Mas essa tentativa vai cair por terra porque todas as testemunhas viram que os dois estavam armados, comentou Rossana Karatzios.
A advogada lembrou que o laudo do Instituto de Criminalística apontou a existência de dois tipos de cápsulas que foram deflagradas pelas armas dos dois irmãos. Ao todo, segundo testemunhas, foram disparados sete tiros dentro da lanchonete. Quatro encontraram alvo. Quero saber onde está a outra arma, diz a advogada.
O advogado dos irmãos Joel e Rubens, João dos Santos Gomes Filho, admitiu que terá uma defesa trabalhosa. O advogado comentou que a tese deve ser fundamentada nos motivos que levaram os dois irmãos a reagir. Mas isso pode ser mudado.
VítimaCharles: tiros na boca e ombroAo deixar o Fórum, Gomes Filho foi abordado pelo pai de Cristian, Luiz César Moretto. O senhor é casado. Tem filhos? O senhor não devia entrar nessa não! O advogado disse reconhecer a dor dos familiares, mas lembrou do direito que todo cidadão tem de apresentar sua defesa.
Até o final da semana, deve sair o resultado do pedido feito pelo pai de Cristian, que se ofereceu para atuar como assistente da acusação, através de seus advogados. Ele pretende auxiliar o trabalho do Ministério Público no levantamento de provas do crime. É um direito previsto por lei, diz a advogada.
O advogado dos réus tem prazo de três dias para apresentar alegações preliminares podendo arrolar testemunhas. Depois disso o juiz vai designar audiência para ouvir testemunhas da acusação. E, finalmente, defesa e acusação apresentarão alegações finais e o processo volta ao juiz que decidirá se os réus serão pronunciados e levados a júri popular ou não.
A advogada da família de Cristian pretende que os acusados sejam julgados por homicídio qualificado por motivo fútil, entre outros crimes. A pena, nestes casos, é de 12 a 30 anos de detenção.


