Irmão é suspeito de matar fazendeiro
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Arquivo FolhaNoite fatalBeto Cardoso: passagem por bares e desentendimento com o irmãoO agropecuarista Roberto Benes Cardoso, 25 anos, morador do jardim Quebec, zona oeste de Londrina, foi assassinado na madrugada de domingo, em frente à sede da fazenda Nevada, de propriedade da família dele, em Tacuru, Mato Grosso do Sul. O principal suspeito do crime é o irmão de Roberto, Maurício Cardoso, que está desaparecido desde a madrugada do crime. Roberto Cardoso morreu devido a politraumantismos e lesões provocadas por instrumento contundente.
O agropecuarista foi socorrido por funcionários da fazenda por volta das sete horas da manhã. Levado de trator até o hospital de Sete Quedas, Beto Cardoso, como ele era mais conhecido, recebeu os primeiros socorros ainda no Mato Grosso do Sul. Constatada a gravidade dos ferimentos, foi transportado de avião para Londrina, mas chegou morto ao Hospital Evangélico.
O corpo do agropecuarista foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Londrina (IML). O laudo do IML só deverá ficar pronto na próxima semana. O médico legista Fernando Milani de Moura informou que está aguardando os prontuários médicos do atendimento feito ao agropecuarista para concluir o laudo. A necrópsia acusou politraumantismo craniano, fratura das costelas, ruptura de baço e hemorragia interna. No rosto havia hematomas e cortes.
Sinais de perfuração na perna direita e no braço são indícios de que ele foi alvo de arma de fogo. Não encontrei nenhum projétil. Para uma análise precisa são necessários os exames de raio-X feitos no Evangélico, diz Milani. Caso fique comprovada a utilização de vários tipos de armas, o fato pode ser qualificado como crime por meio cruel. O médico legista pediu ainda exames de dosagem alcoólica e toxicológica.
O delegado de Sete Quedas, Napoleão Rodrigues Júnior, disse ontem à Folha que todos os indícios apontam para Maurício Cardoso. Roberto e Maurício saíram da fazenda juntos no sábado à noite, em uma caminhonete Silverado (Chevrolet) branca. Passaram por vários bares de Sete Quedas, cidade que fica a 15 minutos de carro da fazenda.
Os irmãos foram vistos juntos pela última vez em uma discoteca da cidade, entre meia-noite e uma hora da manhã. Na discoteca, testemunhas presenciaram uma discussão acirrada entre eles. Após o desentendimento, os irmãos teriam chorado e se abraçado. O delegado disse, porém, que estas testemunhas não puderam explicar o motivo do desentendimento. Durante a discussão, os dois irmãos falavam em inglês.
Depois da discussão, Maurício saiu da boate e Roberto teria ficado no local. Por volta das 3 horas da manhã, ele pegou uma carona para voltar para casa. A polícia ainda não tem informações sobre o que aconteceu nas quatro horas seguintes. Os ferimentos que levaram Maurício à morte aconteceram entre 4 e 5 horas da madrugada.
A polícia chegou ao local por volta das 9 horas da manhã. Segundo o delegado, foram encontradas manchas de sangue na parede da sede e na torneira. A varanda e as proximidades da frente da casa pareciam ter sido lavadas, conta o delegado. A polícia encontrou ainda um guarda-mato de espingarda (peça que protege o gatilho).
O delegado pretende começar a ouvir as testemunhas ainda hoje. Napoleão Rodrigues Júnior explicou que as duas testemunhas que interessam à polícia - a senhora que cuida da casa e o administrador da fazenda - vieram ao velório em Londrina e só estariam de volta hoje.
Rodrigues informou ainda que Maurício Cardoso deverá ser ouvido até o final da semana. Ele contou que o advogado da família esteve ontem na delegacia afirmando que, até sexta-feira, Maurício iria se apresentar para falar sobre o ocorrido.


