Curitiba Paulo Randson Lobato Guerreiro, 29 anos, e Fábio Vitorino Pessutti, 31 anos, estão presos em Curitiba acusado de tráfico de drogas. Os dois foram flagrados com 1,2 quilos de pasta pura de cocaína quantidade suficiente para produção de 30 mil pedras de crack. A apreensão ocorreu no dia 29 de junho, mas na época os nomes dos acusados não foram divulgados. A Folha apurou agora que um dos acusados é irmão do vice-governador Orlando Pessutti.
De acordo com o delegado-adjunto do 8º Distrito Policial, Rogério Martin de Castro, os supostos traficantes relataram que a droga foi trazida de Ji-Paraná (Rondônia) e seria industrializada em Curitiba para distribuição e venda. Através de denúncias anônimas, os policiais civis chegaram até uma casa onde a droga estava escondida, no bairro do Portão. Os dois já tinham passagem pela polícia por porte e tráfico de entorpecentes. Eles foram autuados em flagrante.
O inquérito 192/2005 foi concluído em 8 de julho e encaminhado para a Vara de Inquéritos de Curitiba. O delegado relatou que, apesar de se tratar do irmão do vice-governador, o inquérito transcorreu normalmente. ''Nunca recebi sequer uma ligação para que eu não terminasse o inquérito. Ele foi concluído no prazo certo. Não houve em momento algum tráfico de influência. Nada. É uma pessoa decente e de bom caráter'', defendeu. A Folha apurou que Vitorino está preso desde o dia 30 de junho no Centro de Triagem da Polícia Civil, no Centro de Curitiba. Se conseguisse vender a droga depois de industrializada, teria lucro de R$ 300 mil.
Vitorino nasceu em 1974, em Moreira Salles (70 km a Oeste de Campo Mourão). Ele é filho de Helena Vitorino Pessutti. Quando tinha apenas 11 meses, Helena teria se casado com Natal Pessutti (pai de Orlando Pessutti) que teria resolvido assumir o menino como seu filho legítimo. O reconhecimento de paternidade foi feito através de escritura pública em Jardim Alegre (115 km ao Sul de Apucarana).
Natal Pessutti morreu em 1996. Vitorino entrou então com um processo pedindo anulação do ato jurídico de reconhecimento de paternidade na Comarca de Ivaiporã (110 km ao Sul de Apucarana). O processo, iniciado em 1999, acabou sendo extinto em 2002 porque Vitorino não foi encontrado para juntar peças nos autos e prestar depoimento.
De acordo com o advogado Sérgio Souza, que desde 1992 acompanha a família Pessutti, Vitorino sempre foi afastado do grupo familiar. ''A família dele (vice-governador) é muito próxima, muito chegada. Vitorino Pessutti era distante. Sempre aprontava e tinha problemas policiais'', relatou.
O vice-governador lamentou ontem que Vitorino tenha escolhido este tipo de vida. ''Lamento porque ele foi criado com gente maravilhosa e acabou dando errado na vida. Causou muitos problemas para todos nós. Não sou inimigo dele, mas não vou procurá-lo. Acho que a justiça é feita para todos, não apenas para os inimigos. Por isso não procurei ninguém para ajudá-lo, nem busquei saber onde está preso. Não pedi nenhum privilégio, nem perseguição. Acho que cada um deve pagar pelos erros que comete'', disse.

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