Até onde você se sacrificaria por amor? De tempos em tempos, casos inusitados vêm a público para estimular essa reflexão. Uma dessas histórias está sendo protagonizada em Londrina, onde, nesse exato momento, três bebês estão crescendo no ventre de Priscila Iwanaga Costa, 23 anos. A prova de amor está na origem dos trigêmeos: eles são filhos da irmã da gestante, e foram transferidos para ela através do método de fertilização in vitro.
Vítima de uma doença cardíaca, Patrícia Iwanaga Suzuki, 26, descobriu que não poderia ter filhos, um dos maiores sonhos dela e do marido, Marcelo Suzuki, 26. Mas um fio de esperança surgiu quando o casal morava no Japão. Foi de lá que eles souberam, com entusiasmo, sobre a existência de uma clínica de reprodução humana em Londrina. Além do ótimo currículo dos médicos, havia um outro motivo para procurar a solução na região norte do Paraná. Era ali que morava a família do casal, incluindo Priscila, a irmã que acabaria ''emprestando'' a barriga para Patrícia.
''Quando eles perguntaram se poderíamos ajudar, a gente não pensou duas vezes. Aceitamos na hora, pela felicidade deles'', lembra o marido da ''mãe suplente'', Jhones Júnior da Costa, 18. Na fertilização in vitro, os óvulos da mulher que não pode ter filhos são retirados e manipulados, em laboratório, junto com os espermatozóides do marido. Depois de formados, os embriões são então inseridos no útero da outra mulher.
No caso de Priscila, o sucesso do procedimento veio apenas na segunda tentativa. O que ninguém imaginava era o tamanho desse sucesso. ''Eu sonhava ter dois filhos, mas vieram três, duas meninas e um menino. Agora está bom demais!'', brinca Patrícia. Foi surpresa também para os médicos. Segundo o embriologista Alécio Henriques, as chances de três óvulos se transformarem em três embriões, como nesse caso, são mínimas.
''Minha maior sensação no momento, para ser sincero, é de preocupação. Com o parto em si e com o futuro. Ainda não sabemos como vai ser cuidar de três!'', afirma o pai, Marcelo. Quanto a entregar os trigêmeos após o nascimento, os pais ''emprestados'' dizem não ter dúvidas. ''Eles são os verdadeiros pais. Nós só ajudamos'', assinala Jhones. Priscila está no sétimo mês da gestação.
Apesar de já ter acompanhado casos semelhantes, o ginecologista Osmar Henriques ainda se diz comovido diante de exemplos como esse. ''Priscila já tem um filho (Vítor, de um ano), e está dando conta de outros três, por amor. Esse senso de humanidade, em dias tão violentos, é muito bonito''.

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