Osmani Costa
‘‘Não é por vingança, mas espero que seja feita justiça no julgamento de amanhã. O assassino do meu irmão não merece e não pode continuar solto, até por uma questão de segurança de outras pessoas. Um homem que anda armado e tira a vida de um jovem sem nenhum motivo não merece continuar pelas ruas livremente’’. Esta é a opinião da funcionária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vera Lúcia Martins, sobre Isaac dos Santos, que em setembro de 1996 matou com um tiro de revólver no peito o irmão dela, o sapateiro Adriano Vitório da Silva.
O crime ocorreu no Conjunto Semírames (zona norte), depois que a vítima e alguns amigos saíram de uma lanchonete e foram seguidos por Santos. Esta é a versão que as testemunhas passaram à polícia, durante o inquérito presidido pelo delegado Algaci Antonio Ramos. O acusado fugiu após o homicídio e se apresentou à polícia seis dias depois, alegando ter atirado em legítima defesa.
O julgamento de Isaac Santos, que aguardou em liberdade, ocorre amanhã, no Tribunal do Júri. Segundo o promotor Janderson Camões Iassaka, o réu é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil, cuja pena prevê de 12 a 30 anos de reclusão. ‘‘Foram quase três anos de muito sofrimento e saudade, para mim e toda a minha família. Não vamos aceitar a absolvição do criminoso, que já era acusado de duas outras tentativas de homicídio’’, afirma Vera Martins.
O pai dela, Emídio Vitório da Silva, vem do interior de Goiás para assistir ao julgamento de Isaac dos Santos. ‘‘Nossa família tem interesse na condenação dele, não por motivo pessoal ou de vingança, apesar da falta que Adriano nos faz’’, ressalta Vera Martins. ‘‘Nosso medo é que este seja mais um crime que fique na impunidade. Não podemos concordar com isto, porque a falta de justiça leva à banalização da violência, que é terrível para toda a sociedade’’.

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