Irmã de desaparecido fará protesto
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
ReproduçãoEliseo Figueiredo: desaparecido desde 96Alexandre Sanches 
A auxiliar de enfermagem Osana Gonçalves Figueiredo, 32 anos, lidera hoje um protesto no lixão de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), onde ela acredita que esteja enterrado o corpo do irmão Eliseo Gonçalves Figueiredo, desaparecido desde 25 de dezembro de 1996.
Segundo Osana, Eliseo era usuário de cocaína e teria sido morto por causa de dívidas com traficantes. Tenho recebido cartas e telefonemas anônimos informando que ele foi morto por um tal de Paulinho, ex-presidiário, e João Carlos Schiavon, que é de Rolândia.
As correspondências, com muitos erros de português, pedem para que Osana investigue com cuidado a morte do irmão. Ela diz que está cansada de esperar que as autoridades policiais tomem alguma providência para prender os suspeitos do crime.
Marcos BorgesA irmã, Osana Figueiredo: sem respostasOsana disse que no dia 24 de dezembro de 96, Eliseo ligou do Mato Grosso, onde trabalhava, para a mãe. Desesperado, ele chorava e dizia que precisava voltar para casa. No dia 25 ele foi de táxi de Presidente Prudente (SP) a Londrina, deu entrada num hotel e foi até Rolândia. Foi visto pela última vez por conhecidos nas imediações do lixão. Desde então, a família nunca mais teve notícias dele.
Em maio, Osana diz que foi chamada para retirar os objetos do irmão que estavam no hotel em Londrina. De posse da mala, registrou queixa do desaparecimento do irmão na delegacia de Rolândia. No início do mês, através de correspondências anônimas, ela foi informada de que o corpo de Eliseo estaria numa mata em Cambé. A polícia local fez buscas mas nada foi encontrado.
Agora, com a correspondência que recebi no início do mês, quero que a polícia procure o corpo do meu irmão no lixão de Rolândia, onde afirmam que está enterrado. Só vamos ficar tranquilos quando o corpo de Eliseo for encontrado, desabafou.
O delegado de Rolândia, Antônio do Carmo, informou que em maio foi registrado somente um boletim de ocorrência do desaparecimento de Eliseo, mas o documento foi transferido para Londrina. Mas garantiu que vai abrir inquérito para investigar o caso. Acredito que este inquérito será novamente transferido para Londrina. O maior problema é que não temos materialidade de que realmente houve um crime, ressaltou.
Sobre João Carlos Schiavon, Antônio do Carmo afirmou que ele não tem passagens pela polícia local. As únicas ocorrências foram registradas em Faxinal (76 km ao sul de Apucarana). Já Paulinho - o delegado não identificou seu nome completo - tem passagens pela delegacia de Rolândia por porte ilegal de armas. O protesto no lixão está marcado para as 14 horas.


