O dono de uma chácara próxima ao Conjunto Habitacional Eucaliptos (zona leste de Londrina), Valdir Aparecido Maiolli, afirma que está sendo obrigado a vender o imóvel - de 24 mil metros quadrados -, que possui há cerca de dez anos, porque não tem condições financeiras de pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) deste ano.
O valor total do IPTU acrescido da taxa de conservação de vias da chácara de Maiolli subiu de R$ 675,51, em 98, para R$ 1.832,70 neste ano; o que representa um reajuste de 271,30%. ‘‘Este aumento é absurdo e abusivo. Não tenho como pagar. Minha única opção será a venda do imóvel’’, reclama.
Ele conta que esteve na prefeitura anteontem na busca de explicação para o aumento no valor devido, mas não ficou satisfeito com o atendimento dos funcionários da Secretaria de Fazenda. ‘‘Ninguém sabe explicar como são feitos os cálculos. Ficam empurrando a gente de um guichê para o outro. Eles dizem que não houve aumento, mas sim a retirada de isenções. Para mim, no meu bolso, foi aumento real mesmo’’, ressalta Maiolli.
O chacareiro se diz desanimado com as atividades agropecuárias e com os constantes aumentos nos impostos. ‘‘No final do ano passado, resolvi desativar a criação de suínos aqui na chácara, que sempre foi a base de sustento de minha família, e abrir um sacolão na cidade. Agora, como não posso pagar o imposto, não me resta outra saída a não ser vender este imóvel.’’, afirma Maiolli. Ele conta que chegou a ter cinco famílias trabalhando na chácara, criando mil cabeças de porcos. Hoje, os barracões estão desativados e resta apenas a família do caseiro.
‘‘O valor da minha chácara caiu cerca de 50% nos últimos cinco anos, mas o pessoal da prefeitura não leva isto em consideração no momento de calcular o IPTU. Aumentar a taxa de conservação da rua em frente à chácara, que é de terra e passam a máquina uma vez por ano, é outra aberração.’’
O secretário de Fazenda interino, o advogado José Maria Lima Pereira, reafirma o discurso do prefeito Antonio Belinati (sem partido) de que ‘‘não houve aumento do imposto e taxas, mas sim a diminuição de alguns benefícios’’. Ele informa que, no caso das chácaras, houve o fim de isenções e mudanças nos critérios para o cálculo do IPTU com base no novo Plano Diretor da cidade, aprovado no ano passado.
‘‘Antes, era cobrado 3% de alíquota sobre o valor venal dos primeiros 5 mil metros quadrados; e a partir daí a redução variava para 1% ou 2% conforme a zona urbana em que o imóvel está localizado. A partir deste ano, a alíquota de 3% é sobre o valor venal até 10 mil metros quadrados, baixando para 1,5% para o valor da metragem excedente, independente da localização da chácara.’’

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