Edson MazzettoO prefeito de Toledo, Derli Donin: ‘‘herança’’ de R$ 2,58 milhõesTOLEDO - Servidores municipais de Toledo (47 quilômetros a Oeste de Cascavel) comunicaram ontem que aceitam, com algumas adaptações, proposta do prefeito Derli Donin (PPB) estabelecendo o IPTU como ‘‘moeda’’ referencial para que recebam os salários dos últimos cinco meses de 96, além de férias e 13º, não pagos pela administração anterior. O prefeito quer destinar 50% da arrecadação para pagar os atrasados, além de descontar o IPTU dos próprios servidores e assumir débitos que eles tenham em lojas locais. Os estabelecimentos comerciais, por sua vez, se tornariam credores da prefeitura.
Os sindicatos dos Servidores e dos Professores discutiram as alternativas em assembléias e ontem apresentaram contraproposta. Ao invés dos 50% do IPTU, querem 100% do que for pago a partir de março. E querem que o desconto mensal do ‘‘vale-mercado’’, de 40% sobre o salário, seja abatido de seus créditos, e não da própria folha. Também querem que a prefeitura conceda em março reajuste de 30%, para repor perdas salariais acumuladas. As propostas afastam o risco de que os salários atrasados não fossem pagos.
Os sindicatos impetraram mandado de segurança contra o ex-prefeito Albino Corazza Neto (PDT), obtendo liminar para que os salários fossem colocados como prioridade em relação a outros tipos de pagamentos da Prefeitura. Depois da posse do novo prefeito, o juiz Cláudio Camargo dos Santos extinguiu a liminar, considerando que o mandado foi impetrado contra ‘‘a pessoa investida no cargo’’ (Albino Corazza Neto), e não contra ‘‘a pessoa jurídica’’ (prefeito). Por isso Derli Donin foi desobrigado de obedecer à liminar.
O juiz reconheceu a Donin o direito de decidir a forma pela qual pagará os salários, por não ser função do Judiciário ‘‘interferir na esfera administrativa’’. Edson Simionatto, presidente do Sindicato dos Servidores, reforça, observando que as dívidas ‘‘não são de um prefeito individualmente, mas do município’’.
Derli Donin pagou em dia os salários de janeiro e garante que manterá a regularidade. No total, a nova administração ‘‘herdou’’ débitos diretos com os 1,4 mil servidores de R$ 2,58 milhões. Somando-se contribuições previdenciárias, convênios e outras pendências com o funcionalismo, o débito sobe para R$ 10,5 milhões.
A administração anterior acumulou dívida global de R$ 26,4 milhões, incluindo programas em convênio com o Estado. A arrecadação mensal da prefeitura deve ficar na faixa de R$ 1,5 milhão, nos primeiros meses do ano.

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