Curitiba - Os contribuintes paranaenses terão que pagar mais pelo Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) este ano. Na maioria das cidades do Estado, o IPTU sofreu aumento significativo em relação ao valor pago no ano passado. O preço varia de 5%, como no caso de Foz do Iguaçu, a 48,14%, em Cascavel. Em Curitiba, o valor médio divulgado do reajuste é de cerca de 15%. No entanto, contribuintes entrevistados pela Folha constataram aumento de mais de 100% em alguns imóveis da Capital.
A notícia está sendo recebida com protesto pelos contribuintes, mas as prefeituras deixam claro que não há alternativa: quem não negociar uma forma de pagamento, pode até ter seus bens confiscados. Como não há remédio, a saída é tentar entender como estão sendo calculados os aumentos. Em Curitiba, mudança no sistema de cobrança do imposto está causando confusão. A partir desse ano, as alíquotas (percentual utilizado para calcular o imposto devido) incidem em função do valor do imóvel e não mais sobre a área construída, como acontecia anteriormente.
Com a nova proposta, alguns contribuintes podem ser beneficiados com redução de imposto. Porém, o número de pessoas que terão que desembolsar mais do que o ano passado para pagar o IPTU ainda é superior. O diretor do Departamento de Rendas Imobiliárias da Prefeitura de Curitiba, Altevir Bello dos Santos, revela que 48% dos imóveis vão sofrer reajuste e cerca de 46% podem ter redução no valor a ser pago.
O aumento, explica Santos, se deve a dois fatores principais: a ampliação da área construída dos imóveis e o local em que ele se encontra, que passou a ser levado em consideração na hora de realizar o cálculo do imposto. ‘‘Pelo menos 125 mil imóveis estavam irregulares’’, revela Santos. A maioria dessas irregularidades são construções clandestinas que não atualizaram o cadastro junto à prefeitura. ‘‘O aumento da área construída reflete no preço do imposto, já que vai agregar maior valor ao imóvel’’, explica.
A justificativa da prefeitura para a mudança é corrigir a disparidade observada em anos anteriores, mas em alguns casos, os proprietários custam a entender o motivo do aumento. O contador aposentado Leopoldo Stolz, de 76 anos, constatou um aumento de 11% no imóvel de 158 m2 onde mora, no Batel. O aumento foi pequeno comparado a outros imóveis da Capital, que chegaram a dobrar de valor. ‘‘Mas o que me preocupa é que esse valor será corrigido nos outros anos’’, salienta Stolz lamentando um aumento progressivo e sem justificativa no imposto. ‘‘Falta esclarecimento sobre as taxas que estamos pagando’’, opina.

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