Com base nas soluções apontadas pelo geógrafo Maurício Polidoro na reportagem publicada ontem sobre a longa jornada dos trabalhadores que dependem do transporte público em Londrina, a FOLHA entrevistou a gerente de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Cristiane Biazzono Dutra, para saber quais medidas são viáveis.
Na matéria, a FOLHA acompanhou a rotina de três usuários que são obrigados a usar pelo menos dois ônibus para ir da casa ao trabalho. Um exemplo é o do pedreiro Sebastião Paulo Soares, 49 anos, que gasta três horas e meia para ir trabalhar. Ele mora em um sítio no Distrito de São Luiz (35 km do Centro de Londrina) e, se fizesse esse trajeto de carro, não levaria mais de 30 minutos.
Polidoro, que integra um grupo de pesquisadores que trabalha no projeto ''Impactos Ambientais e Urbanos em Áreas de Expansão'', destacou que o deslocamento e congestionamento não são mais problemas exclusivos das metrópoles. ''Londrina está em um período crucial, pois já tem características de metrópole.'' Como soluções, Polidoro aponta desde a integração das faixas exclusivas de ônibus até a criação de bicicletários nos terminais de grande fluxo.
O Ippul é responsável pelos projetos baseados em pesquisas sistemáticas de contagem volumétrica de tráfego, que envolvem veículos motorizados ou não. Um estudo realizado para traçar o perfil do ciclista londrinense trabalhador revelou que eles são jovens, entre 18 e 35 anos, e fazem percursos que variam de dois a dez quilômetros diários de uma forma bem distribuída entre as regiões, mas o destino da maioria é o quadrilátero central.
Com base nisso, Cristiane explica que momentaneamente estão sendo executados dois trechos de ampliação do sistema cicloviário, que atualmente é de 11,5 quilômetros. Com repasses do governo federal, através do Ministério do Turismo, estão sendo construídos mais três quilômetros de ciclovia no entorno do Lago Igapó I, voltado para o lazer. ''Nas próximas semanas deverá ser licitado o trecho de seis quilômetros na Avenida Saul Elkind, na Zona Norte'', diz.
Segundo Cristiane, os resultados da pesquisa também foram importantes para o Ippul traçar uma proposta de rede cicloviária com 65 quilômetros em outras principais vias citadas pelos usuários, como a Avenida Dez de Dezembro e Leste-Oeste, porém sem previsão.
Além disso, existe uma proposta de melhoria da infraestrutura em todos os terminais de ônibus, incluindo a criação de bicicletários. ''Com isso, as pessoas poderão sair de casa de bicicleta até os terminais, guardá-las com segurança e seguir o restante do percurso em transporte coletivo'', explica.
Em relação às faixas exclusivas de ônibus, ela diz que são soluções a curto prazo e que a integração é possível, porém gradativa. ''Hoje, temos cinco vias que recebem a faixa exclusiva, totalizando 11 quilômetros. Pretendemos integrar as vias por onde os ônibus percorrem com os locais de embarque e desembarque dos usuários, que são os pontos de ônibus ou os terminais'', diz.

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