Londrina – O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) está realizando uma pesquisa junto aos ciclistas para levantar quais as necessidades deles. A primeira foi realizada em 2006, com mil usuários e foi apontada a necessidade de construção de 65 km de ciclovia. Destes, apenas 17 km estão prontos.
"Agora ampliamos para dois mil ciclistas e acreditamos que será levantado um número bem maior. Estamos esperando algo em torno de 105 km. O levantamento está sendo feito em empresas, nas ruas e no site da prefeitura (www.londrina.pr.gov.br)", explicou Cristiane Biazzono Dutra, gerente de Trânsito do Ippul.
Segundo ela, o município conta com 17 km de ciclovias, com a previsão de construção de mais 24,3 km. Entre os dez trechos planejados, apenas um já foi executado, no Lago Igapó 1 (área central). O segundo, referente à Avenida Saul Elkind (zona norte), está sendo licitado pela terceira vez, já que nas outras vezes não houve interessados.
Outros oito trechos aguardam a liberação de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para serem licitados, sendo as ciclovias das avenidas Adhemar de Barros, Dez de Dezembro, Robert Koch, Harry Prochet, Arthur Thomas, Aracy Soares dos Santos, Santos Dumont e Henrique Mansano. "Os projetos foram enviados para o BID e agora estão sendo analisados em Washington (Estados Unidos). Nesta fase é muito difícil os recursos serem negados, mas devemos aguardar", destaca a gerente.
Para os dois primeiros trechos os recursos vieram do Ministério do Turismo e como também estão previstos no projeto para o BID, serão descontados posteriormente. Os recursos pleiteados são de R$ 4,953 milhões, o que resultaria num custo de aproximadamente R$ 200 mil o km de ciclovia.
Arlindo Bonfim Neto, propagandista médico e ciclista nas horas de lazer destaca que é fundamental o investimento em ciclovias, principalmente voltadas para os trabalhadores. "É preciso mais atenção do poder público principalmente com essas pessoas, que cruzam a cidade para ir trabalhar e precisam disputar o espaço com os carros. Precisamos de ciclovias que cortem as grandes avenidas, fazendo a ligação entre os diversos pontos, para que quem precise sair da zona norte para trabalhar do outro lado da cidade possa fazer isso em segurança. Hoje as ciclovias ficam mais restritas às áreas de lazer."

Acadêmicos
A necessidade de Londrina ter mais ciclovias e o custo de construção foram temas pesquisados por um grupo de universitários, que apresentou ontem o trabalho durante a 3ª Mostra Acadêmica da Faculdade Pitágoras. O evento teve como tema Acessibilidade e Mobilidade Urbana. "Percebemos que muitas pessoas dependem das bicicletas para ir para o trabalho. Se fala tanto em diminuir o número de veículos, mas faltam ciclovias. Conversamos com algumas empresas e levantamos o valor para a construção", explica Alexandre Michelin, um dos integrantes do grupo, formado por alunos do 4º semestre de Engenharia Civil da Faculdade Pitágoras. O levantamento feito pelos estudantes aponta que com apenas R$ 50 por metro quadrado é possível a construção de uma ciclovia, incluindo desde a preparação do terreno até a pavimentação e a sinalização.
Cristiane, do Ippul, explica que o órgão não usa o metro quadrado e sim o linear. "Mas não podemos fazer uma comparação simples, já que é necessário saber exatamente o material usado e se foi levado em consideração no projeto (dos alunos) a alteração de postes, bocas de lobo, arborização e outros detalhes. Quando pleiteamos recursos, tudo isso já está previsto", diz.
A 3ª Mostra de Trabalhos também trouxe outras iniciativas. Entre elas, propostas para adaptação de cadeiras de rodas para subir o meio-fio sem a ajuda de outras pessoas, semáforos temporizados para horários determinados como entrada e saída de escolas, pontos de ônibus adaptados para pessoas com necessidades especiais e estações para entrega e retirada de bicicletas. Todos os projetos foram desenvolvidos por alunos dos cursos de Engenharia da instituição.
"A cada ano mudamos a proposta. Todos os alunos participam e misturam a teoria com a prática. No primeiro semestre é feito um concurso e no segundo são trabalhos mais conceituais", explica Valdemir Antunes, docente organizador da Mostra.

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