Projeto de revitalização do Bosque está sendo finalizado pelo Ippul; estimativa é que licitação seja lançada até fim do ano
Projeto de revitalização do Bosque está sendo finalizado pelo Ippul; estimativa é que licitação seja lançada até fim do ano | Foto: Ricardo Chicarelli - Grupo Folha

Problema que se tornou crônico em Londrina, o Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon deverá ser revitalizado pela prefeitura nos próximos meses. O Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) está finalizando o projeto que prevê as melhorias e mudanças no espaço, que conta com cerca de 20 mil metros quadrados e está localizado no “coração” da cidade. Entretanto, o que tem pulsado há vários anos no lugar é a falta de cuidado e promessas de soluções.

De acordo Roberto Alves Lima Junior, presidente do Ippul, foram concluídos o levantamento topográfico e o memorial das árvores que existem no Bosque, com a verificação do diâmetro dos troncos e identificação das espécies. O órgão contabilizou aproximadamente mil árvores. Este trabalho foi enviado para a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), que vai conferir quais deverão ser erradicadas.

Considerando o aspecto urbanístico que está sendo proposto, seriam retiradas de dez a 20 árvores. “A Sema vai avaliar se tem alguma condenada, se é exótica. Por parte do Ippul, o Bosque é um elemento singular em Londrina. Não deve ser entendido como um bosque totalmente fechado e sem acesso, mas também não pode ter densidade de vegetação como uma praça comum. É um meio-termo”, destacou.

Também foram finalizados os projetos de sinalização e paisagismo, em que foi utilizado catálogo elaborado pelo órgão e aprovado pela pasta de Ambiente. Lima Junior afirmou que foram levados em conta vários apontamentos feitos pela população durante audiência e reunião públicas realizadas recentemente. Um questionário online foi disponibilizado à população para opinar sobre o futuro do espaço.

“Pediram área de embarque e desembarque, bancos para lazer, instalação de paraciclos, a quadra será melhorada. Foi levantado que um grande número de pessoas gostaria de usar a área para prática de skate e estamos preparando isso. A ideia é que as opções de lazer, como academia ao ar livre, parque, entre outras medidas, fiquem espalhadas por todo o Bosque. Por isso, alguns equipamentos serão reimplementados”, adiantou.

Junto com a Sercomtel Iluminação está sendo confeccionado o plano para mudança na iluminação, com utilização de lâmpadas de LED. Esta tecnologia poderá ser um dos auxílios para redução da superpopulação de pombos, uma das principais queixas de vizinhos e transeuntes em razão das fezes, que formam uma crosta nas calçadas e têm mau cheiro. Refletores que simulam a luz solar e aparelhos eletromagnéticos já foram instalados para tentar espantar os pombos no passado, porém, sem sucesso.

LEGISLAÇÃO
Ao longo dos anos e administrações, diversas foram várias as tentativas e iniciativas de revitalizar o Bosque Municipal. Grades chegaram a ser colocadas e depois retiradas e quando surgiu a proposta de reabrir a rua Piauí, a Câmara aprovou e foi sancionada a lei que transformou o local numa APP (Área de Preservação Permanente), em 2012. A atual administração protocolou em junho desde ano no legislativo um projeto de lei que reclassifica o espaço como praça pública.

Na Câmara, o projeto de lei foi aprovado pela Comissão de Justiça e agora está em análise nas comissões de Segurança Pública; Educação, Cultura e Desporto; e Política Urbana e Meio Ambiente. Por impactar no código ambiental, a tramitação é mais lenta. O prazo final para pareceres é 29 de outubro, quando poderá ir para votação em plenário, o que deve acontecer em novembro. Somente com aprovação em dois turnos e sansão do prefeito é que o Bosque poderá receber intervenções drásticas.

CAMINHOS
O presidente do Ippul defendeu que o município tem tomado todos os cuidados para abarcar as visões e sugestões dos mais diferentes pontos de vista de entidades, instituições e associações num projeto único. Uma delas foi do Conselho Municipal de Preservação Cultural de Londrina, que indicou o retorno dos caminhos originais do Bosque. Estes trajetos contemplam entradas e saídas em diagonal. “Existiam diversos caminhos e por descuido do poder público acabaram tomados pela vegetação. Vamos retomar e aumentar a permeabilidade visual. Isso ajuda na ventilação, aumenta a segurança”, ressaltou Lima Junior.

A terra acumulada será substituída. O cronograma do órgão prevê terminar o projeto efetivo com orçamento até o final do ano para poder ser lançada a licitação. “Temos a ideia geral. Vamos submeter à secretaria de Obras para avaliação dos demais projetos de engenharia e orçamento”, projetou.

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