Ippul perde 20 profissionais
Lúcio Horta
De Londrina
Além da saída de toda diretoria do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), anunciada anteontem, cerca de 20 profissionais contratados pela Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), e que prestavam serviços ao instituto por meio de convênio, foram dispensados. São engenheiros e arquitetos que, desde o início da atual administração municipal, auxiliavam na produção de projetos desenvolvidos pelo órgão.
O anúncio das demissões foi feito no final da tarde de anteontem e causou indignação entre os profissionais. Pelo menos um dos demitidos, que não quis se identificar, ligou para a Folha e reclamou da situação. O diretor-executivo da Adetec, Tadeu Felismino, estava em São Paulo ontem e disse, por telefone, não ter detalhes sobre os motivos do cancelamento do convênio. Apenas assegurou que a iniciativa não partiu da associação.
O motivo mais provável, no entanto, é mesmo o rompimento político entre o deputado federal Alex Canziani e o prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL). Alex, que está saindo do PFL para ingressar no PSDB, foi vice de Belinati na última eleição e até quarta-feira ocupava o cargo de secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho. Depois de anunciado o afastamento entre os dois políticos, o presidente do Ippul, Mário Stamm Júnior, indicado por Alex, e toda a diretoria do órgão pediram demissão.
Com a saída dos profissionais, o Ippul fica com uma estrutura ainda mais enxuta. Segundo Leonel de Carvalho, da assessoria administrativa, o órgão tem apenas oito funcionários concursados. Junto com eles, trabalham cerca de 10 funcionários da área administrativa cedidos pela administração direta e outros cerca de 50 estagiários.
Carvalho diz que há cerca de três meses outros 15 arquitetos e engenheiros, que também faziam parte de um convênio, haviam sido demitidos. De lá para cá o órgão perdeu pelo menos 40 profissionais de nível superior. Mas é bom deixar claro que, embora tenha havido esse desligamento, o Ippul está dando continuidade ao trabalho, principalmente na parte de semáforos.
A saída dos profissionais tem preocupado entidades do setor. Se for uma decisão definitiva (o fim do convênio), representa um retrocesso, disse Clovis Boher Filho, presidente do Clube de Arquitetura e Engenharia de Londrina (Ceal). Para ele, a capacitação dos órgãos responsáveis pelo planejamento urbano, como o Ippul, com a presença de profissionais qualificados, é imprescindível.
A Folha não conseguiu falar sobre o convênio com o ex-presidente do Ippul, Mário Stamm Júnior. A assessoria de imprensa da prefeitura também foi contatada, para esclarecer o assunto, mas não retornou as ligações.





