Maigue Gueths
De Curitiba
Curitiba tem, hoje, 120 quilômetros de ciclovias, que circundam praticamente toda a cidade e passam por 90% dos parques e bosques. Apesar da maioria dos ciclistas curitibanos usarem o veículo apenas como meio de lazer, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) quer aumentar, a médio prazo, as vias especiais para ciclistas no centro da cidade. Com isso, espera-se reduzir o número de carros particulares no anel central e integrar as bicicletas aos meios de transporte convencionais usados pela cidade.
Considerada uma das cidades do País mais bem estruturadas para os ciclistas, a experiência de Curitiba será relatada durante o seminário ‘‘Bicicleta no Brasil – A Nova Realidade das Políticas Públicas’’, que acontecerá paralelamente ao Salão das Duas Rodas, a ser realizado de 21 a 28 de novembro no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. O arquiteto Antônio Juarez Nakamura, coordenador de planejamento cicloviário do Ippuc, fará uma palestra sobre ‘‘Infra-estrutura municipal para Bicicletas’’. Técnicos de outras cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, também relatarão suas experiências e discutirão os problemas de trânsito para ciclistas, as adequações necessárias e conflitos existentes.
A primeira ciclovia de Curitiba foi implantada há 20 anos, ligando as regiões norte-sul da cidade, do Parque Barreirinha até a Cidade Industrial. ‘‘A intenção era apoiar o transporte do pessoal que trabalhava na CIC’’, conta o arquiteto, lembrando que com as invasões à beira da ferrovia no bairro Prado Velho, parte da ciclovia foi perdida. Mesmo assim, ele considera que os 120 km de ciclovias de Curitiba cobrem bem a periferia da cidade e suas tangenciais, mas peca ainda pela pouca inserção dentro do anel central da cidade.
As idéias já existem, mas ainda não há projetos definidos nem estudos de custos. Como as ruas centrais são estreitas, as saídas seriam eliminar um dos lados de estacionamento de carros, criando uma faixa de ciclovia no mesmo nível da rua, apenas separarada por uma barreira física. Em avenidas mais largas, como a Cândido de Abreu, por exemplo, a idéia é reservar uma faixa de 2 metros para as bicicletas.
‘‘Mas o automóvel ainda está muito arraigado em nossa cultura e esta mudança teria de ser gradativa’’, diz. Uma idéia seria começar a incentivar a bicicleta como transporte nos finais de semana. Para isso, seriam construídos bicicletários gratuitos no centro, e as lojas, segundo ele, poderiam criar um incentivo, dando descontos ou cupons de troca para quem fosse de bicicleta para o centro. ‘‘Se vamos passear no final de semana, porque não de bicicleta?’’, questiona.
Planos do Ippuc, traçados desde a primeira ciclovia, em 1979, prevêem a construção de mais 80 quilômetros de ciclovias ao longo da cidade. Não há previsão, entretanto, para esta expansão. A Lei se Zoneamento Urbano, que está sendo discutida na Câmara Municipal de Curitiba também prevê a criação de um Anel de Conservação Sanitária Ambiental, que estebeleceria uma faixa de conservação ao longo dos rios e bacias na cidade. A idéia é estender a ciclovia também ao longo desta anel.A cidade, que já tem 120 quilômetros de ciclovias, estuda instalar vias especiais para cilcistas também no centro
José SuassunaPLANEJAMENTOCuritiba tem ciclovias há 20 anos e desde aquela época já se previa a implantação de mais 80 quilômetros de pistas além dos 120 quilômetros já existentesJosé SuassunaINTENÇÃOO centro da cidade ainda não tem espaços exclusivos para bicicletas, mas o Ippuc estuda a extensão das ciclovias também para a área central

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