Gilson AbreuMudanças ‘a vistaCartão postal de Curitiba desde que virou Rua das Flores, a Rua XV deve passar por mudanças para atrair mais público O presidente do Ippuc, Osvaldo Navaro, disse ontem que a construção de um estacio namento subterrâneo, nas imediações da Praça Santos Andrade deverá ser um dos projetos da atual gestão que poderão revitalizar a Rua XV de Novembro. Segundo ele, a preocupação da prefeitura é a mesma dos comerciantes da rua, que lançaram um movimento pedindo medidas para recuperar os atrativos do mais tradicional cartão postal de Curitiba.
O movimento envolve comerciantes instalados na Avenida Luiz Xavier, trecho da Rua XV que começa na Praça Osório. Numa carta enviada ao prefeito Cássio Taniguchi, eles listam 18 sugestões, que podem ser resumidas numa frase: a Rua XV - que ficou famosa no Brasil como ‘‘Rua das Flores - perdeu o charme’’.
A lista de sugestões começa pela mais simples: a volta das flores que deram nome à rua e hoje quase não são vistas. ‘‘A XV virou um deserto de petit-pavet, cheio de falhas e buracos’’, diz o empresário Jacques Rigler, franqueado do Mac Donald’s que coordena o movimento.
Mas o fim do aspecto florido é apenas um dos problemas apontados pelos comerciantes. Uma das reclamações mais sérias é a falta de segurança, agravada pela iluminação deficiente. Rigler diz que, há alguns anos, os lojistas chegaram a contratar cinco pessoas para atuar como ‘‘zeladores de quadra’’.
Entre outras atribuições, elas deveriam fechar as portas de ferro das lojas após as 23 horas, de modo que as vitrines ficassem expostas e funcionassem como atrativo para pedestres. ‘‘Como não havia aparato de segurança, a idéia acabou morrendo’’, afirma o empresário. ‘‘Quem vai passear à noite numa rua sem vitrines, que parece uma grande garagem?’’
Para Rigler, a tendência de concentração de cinemas em shoppings ajudou a agravar a situação da Rua XV. ‘‘Antes, os cinemas do centro da cidade funcionavam como uma espécie de âncora para o movimento na XV’’, lamenta.
Para reverter a situação, os comerciantes sugerem, por exemplo, criar na XV um quiosque de informações turísticas e incluir a rua nos roteiros das linhas de turismo mantidas pela prefeitura. Além disso, querem limpeza na rua e nas galerias pluviais e o fim do tráfego de carros de transporte de valores pela rua.
A carta dos comerciantes foi levada também à Associação Comercial, que tenta marcar uma reunião com o prefeito para discutir o assunto. Segundo o presidente do Ippuc, a preocupação com a Rua XV está incluída no projeto ‘‘Revivendo Curitiba’’, através do qual Taniguchi pretende revitalizar vários pontos tradicionais ou históricos da cidade.
‘‘A idéia é reforçar a segurança e melhorar a parte urbanística não só da XV, mas de todo o entorno, criando fatos novos que reanimem o centro’’, afirma Navaro. Segundo ele, o estacionamento subterrâneo - um projeto antigo retomado na atual gestão - funcionaria como um estímulo para que as pessoas se sentissem atraídas para o centro. ‘‘É preciso fazer os carros chegarem perto dos locais para pedestres’’, afirma.
O presidente do Ippuc disse que o projeto ainda está sendo detalhado e não tem cronograma fechado. Segundo ele, estão previstos outros estacionamentos grandes no entorno da região central.

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