Todos os 18 policiais militares envolvidos em denúncias de violências e prisões ilegais na região de Maringá continuam trabalhando normalmente em suas funções. Segundo os comandos dos 4º e 8º Batalhões da PM, eles somente serão afastados de suas funções se os Inquéritos Policiais Militares (IPMs) abertos para apurar as denúncias determinarem que são culpados.
No último Sábado de Aleluia (dia 29 de março), em Mangaguaçu, a 16 quilômetros de Maringá, 10 policiais do 4º Batalhão invadiram a residência do lavrador aposentado Félix de Araújo Silva e espancaram seus três filhos, sua mulher Ermelinda e uma neta de 15 anos, grávida. Os filhos de Félix e a mulher dele foram presos e soltos no dia seguinte.
O promotor de Mandaguaçu, Élcio Arruda, determinou ao delegado Maurício Camargo a abertura de inquérito para apurar as denúncias feitas por Félix Araújo. No 4º BPM, o IPM está sendo presidido pelo capitão Castilho Casitas, que deve começar a ouvir hoje os policiais envolvidos.
Em São Jorge do Ivaí, a 44 quilômetros de Maringá, o destacamento do 8º BPM também abriu inquérito na semana passada para apurar denúncia feita por três lavradores e um técnico em eletrônica contra um grupo de seis PMs. Segundo a denúncia, os quatro amigos teriam sido espancados e presos ilegalmente.
No 8º BPM, com sede em Maringá, outro IPM foi aberto para apurar denúncia do jornalista Antônio Carlos Moretti, diretor do ‘‘Correio Metropolitano’’, de Sarandi, a 7 quilômetros de Maringá. Moretti acusa dois PMs de agressão física e prisão ilegal. Seu carro, um Opala, estava com imposto vencido. Por isso, segundo o jornalista, recebeu voz de prisão e foi agredido.
O comandante e o sub-comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá, tenente-coronel Alberto Augusto da Silva e major José Luís Peretti, respectivamente, defendem a idéia da unificação das polícias Civil e Militar como meio mais rápido de tentar acabar com as arbitrariedades cometidas por policiais.
‘‘Pode ser uma solução, mas acho que a farda deveria continuar a ser usada, pois impõe respeito e dá mais segurança à população. O comandante poderia ser um civil, desde que fosse capaz’’, afirmou o tenente-coronel Silva.
Sobre as denúncias contra os PMs, o major Peretti disse que um IPM demora cerca de 40 dias para ser concluído e que até lá os soldados envolvidos nas denúncias continuarão trabalhando porque não houve flagrante. Peretti acha difícil controlar o comportamento dos 700 soldados que trabalham no quartel de Maringá. ‘‘Nosso batalhão é um dos que se comportam melhor em todo o Estado. Temos apenas dois IPMs abertos. Claro que existem exceções que não podemos controlar, como no caso de Mandaguaçu, se é que tudo aconteceu de acordo com as denúncias’’.
A Polícia Rodoviária da região de Maringá registrou seis acidentes neste final de semana, com três feridos e duas mortes. O acidente mais grave ocorreu à 1 hora de ontem, no quilômetro 13 da PR-180, entre os municípios de Guaraça e Terra Rica. O Volkswagen tipo Parati placas APJ-8264, de Paranavaí, capotou, provocando a morte do motorista Vinicius Pozubon, 19 anos, e de Evandro Carlos de Souza, 21 anos. O outro passageiro, Luciano Rodrigues dos Santos, foi internado em estado grave no Hospital Santa Casa, de Paranavaí.

mockup