Curitiba - O comandante geral da Polícia Militar, coronel Gilberto Foltran, determinou ontem a abertura de um inquérito policial militar para apurar a responsabilidade do soldado Jorge Barbosa, que desde 2000 fazia parte do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco). Barbosa é acusado de vazar o conteúdo de uma fita que revela conversas entre presos do Batalhão de Polícia de Guarda de Presídios (BPGD) e seus advogados por telefone entre os dias 15 e 28 de junho deste ano.
A fita confirma as suspeitas da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de que os policiais militares detidos tinham mordomias dentro da unidade. Os privilégios iam de comida especial e telefone celular até encontro com prostitutas e visitas em horários discriminados.
Nesta semana, o soldado Barbosa se apresentou ao coordenador da PIC, Ramatis Fávero, e confessou a autoria da cópia das fitas, feitas sigilosamente e com a autorização da Justiça. ''Quero os detalhes de tudo o que houve. Se houve escuta telefônica ilegal, houve crime. Se houve vazamento de uma escuta legal, também houve crime. As garantias legais do sigilo telefônico precisam ser respeitadas'', declarou Foltran.
Vão trabalhar no levantamento das informações o comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Silvio José Mazalotti de Araújo; o comandante do BPGD, tenente-coronel Ademar Benevenutto Moleta; e o comandante da PM-2 (Serviço Secreto da PM), major Sarmento. ''Já determinei que o soldado Barbosa seja imediatamente afastado do Gerco e da PIC. Ele vai voltar para as ruas. Para o serviço fardado'', disse Foltran ontem à Folha. Barbosa tem 46 anos e há 26 está na Polícia Militar.
O inquérito terá 40 dias para ser concluído, com a possibilidade de mais 20 dias de prorrogação. Existe a suspeita de que outros policiais militares estejam envolvidos no caso. Além do esquema de mordomia entre os presos, a fita também trazia trechos de conversas com advogados e que revelariam um suposto plano para denegrir as imagens dos promotores da PIC e dos policiais militares que trabalhavam no Gerco. Pelo plano, uma pessoa iria aparecer para testemunhar no caso do incêndio da PIC e dar informações sobre supostos crimes cometidos na unidade de investigação criminal.
O Ministério Público do Paraná vai monitorar o andamento do inquérito policial militar. Nota oficial divulgada na semana pela procuradora geral de Justiça, Maria Teresa Uille, explicava que a quebra do sigilo de uma escuta telefônica é crime. Quem divulga as informações podem pegar uma pena de até quatro anos de reclusão e multa.

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