A arquiteta do Departamento de Patrimônio Material (Depam) do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), Maria Paula Marques, esteve ontem em Londrina para analisar duas obras dos arquitetos Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, que podem ser tombados nacionalmente: o Museu de Arte (antiga Rodoviária) e o Teatro Ouro Verde. ''Eu estou conhecendo as obras, uma vez que os projetos possuem muitos detalhes e era preciso sanar algumas dúvidas'', comentou. Maria Paula explicou que o processo de aprovação do tombamento pode variar de obra para obra. ''Tive que ler sobre a obra de Artigas para poder realizar a inspeção da obra'', explicou.
Maria Paula esteve acompanhada por outros dois técnicos do Iphan-PR, Juliano Martins Dolberstein e Moisés Soares, uma vez que foi a superintendência que encaminhou o pedido de tombamento. ''Não houve uma solicitação formal do município para que o tombamento fosse realizado, mas uma reunião do corpo técnico do Iphan-PR avaliou que a maioria das obras tombadas estava localizadas no Litoral e nos Campos Gerais'', contou. O grupo, então, começou a discutir o que existe nas regiões Norte e Oeste que fosse expressivo suficientemente para ser tombado nacionalmente.
Dolberstein informou que o processo precisa passar por diversas instâncias antes de ser aprovado. ''Começa pela superintendência regional do Iphan, é feito um levantamento arquitetônico e um registro fotográfico e depois é realizado a documentação desse material e um levantamento da história do imóvel'', explicou. Em caso de parecer positivo, é feito um parecer técnico, que é encaminhado ao Conselho Consultivo, formado por diversos representantes da sociedade, para determinar a importância histórica do imóvel.
Privilégio
A diretora de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, afirmou que as duas obras são representativas de Artigas e de Cascaldi, discípulos do modernismo de Le Corbusier e que ganharam destaque em São Paulo. ''Foram construídas no final dos anos 40 e início dos anos 50.''
Ela disse que Londrina é privilegiada por ter obras dessa magnitude mesmo sendo nova. A diretora contou que o Museu de Arte já havia sido tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1974 e o Ouro Verde tombado pelo governo estadual em 1999. E lamenta que apenas o Ouro Verde tenha sido contemplado quando deveria ser considerado o conjunto com o edifício Autolon e o jardim e o restaurante que os unia.
Sobre a Cidade da Criança, outra obra de Artigas, localizada em frente à Concha Acústica e que abriga atualmente a Secretaria de Cultura, Vanda disse que não há a possibilidade de pedir o tombamento por enquanto, pois a obra foi bastante descaracterizada. ''Mas estamos restaurando.''

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