Fiscais do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (IPEM-PR) realizaram ontem pela manhã em Curitiba a apreensão de 729 pneus de baixa qualidade. O material foi encontrado num depósito secreto no galpão da revendedora Mark One, localizada às margens da BR-116, no Bairro Alto. Foi a maior apreensão da ‘‘Operação Ayrton Senna’’ desencadeada ainda nos Estados do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Alagoas desde o início da semana.
A partir de uma apreensão de 180 pneus realizada no Rio, os fiscais do IPEM na capital paranaense receberam a informação de que a origem do produto seria no Paraná. Os pneus apreendidos em Curitiba não tinham a identificação do fabricante e do Instituto de Metrologia (Inmetro). Elas estavam raspadas. Segundo o chefe do Departamento de Qualidade Industrial do IPEM, Roberto Tamari, a ausência das informações impressas no pneu representa que eles não podem ser comercializados, pois podem ser de qualidade inferior e com o risco de causar graves acidentes se forem usados.
O proprietário da Mark One poderá ser multado em até 4,8 mil Ufirs por estar comercializando um produto considerado como ‘‘lixo’’ pelos técnicos do IPEM. Roberto Tamari afirma que os pneus foram trazidos de fora do Brasil. ‘‘Eles chegam ao País e são identificados como pneus novos quando nem podiam entrar em comercialização’’, disse. Três fabricantes, um da Alemanha e dois da Coréia do Sul, já foram identificados. O dono da Mark One, que não teve a identidade divulgada pelo IPEM, terá que apresentar as notas fiscais com a finalidade de descobrir a origem da compra do produto.
A Mark One já havia recebido uma fiscalização do IPEM na semana passada. Os fiscais não encontraram os pneus irregulares. De acordo com Roberto Tamari, ‘‘eles estavam escondidos num depósito’’. ‘‘A entrada do depósito estava camuflada por outros pneus’’, descreveu. Os fiscais foram embora. No entanto, a apreensão de 11 pneus raspados em Londrina esta semana motivou uma nova visita a revendedora de Curitiba.
Os fiscais do IPEM retornarão a Mark One hoje para providenciar a remoção dos 729 pneus para um galpão alugado pelo instituto. Um homem que não quis dar o nome e se identificou como dono da empresa para a equipe da Folha chegou a dizer ontem que os fiscais estiveram na empresa, mas não encontraram nada. Em seguida, ele disse que não pretendia conceder entrevista.

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