IPE suspende atendimentos em 20 de maio
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quinta-feira, 18 de abril de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado faz mistério com relação a implantação do novo plano de saúde para o funcionalismo público, evitando antecipar qualquer informação referente à contratação dos hospitais. No entanto, a Folha apurou que a partir do dia 20 de maio ficam suspensos os atendimentos nos estabelecimentos credenciados pelo Instituto de Previdência do Estado (IPE). O órgão, até então, responde pela assistência ao servidor na área da saúde.
A informação foi confirmada pelo ex-diretor e atual médico do IPE, José Valêncio Maciel de Almeida. Para o médico, a determinação que, segundo ele, partiu do governo dá a entender que dentro de um mês o plano proposto esteja em plena operação. Isso mostra que o governo vai insistir em um sistema que não agrada nem ao servidor, nem às entidades médicas e nem aos hospitais, criticou. De acordo com Almeida, o governo mantém convênios com aproximadamente 260 hospitais e 600 clínicas e laboratórios em todo o Estado.
A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) também recebeu a notícia com preocupação, pois no prazo de um mês os hospitais terão que absorver um contingente grande de atuais usuários do IPE pelo Sistema Único de Saúde (SUS), caso não haja hospitais conveniados pelo novo plano capazes de atender toda a demanda. Até o início deste mês, o governo havia confirmado a participação de hospitais apenas das regiões de Curitiba, Guarapuava, Toledo, Cascavel, Pato Branco e Francisco Beltrão. A Fehospar informou que não obteve confirmação oficial de nenhum dos estabelecimentos.
A previsão inicial era de que o plano, chamado Serviço de Assistência ao Servidor (SAS), entraria em vigor a partir de 1º de abril, mas a falta de hospitais interessados para dar cobertura às 14 regiões definidas pelo governo acabou atrasando o processo.
A Fehospar reafirmou sua posição com relação ao SAS. Para a entidade, o plano é inviável tanto técnica como financeiramente. Além dos valores considerados insuficientes R$ 16,50 per capita no Interior e 18 na capital, a Fehospar aponta distorções no Decreto nº 5.303, que criou o plano. Nele são enumerados os procedimentos ou serviços a que o servidor não teria direito. O plano que se propõe a atuar na prevenção, exclui a realização, por exemplo, de check up, de vacinas em geral, transplantes de qualquer natureza, cirurgias cardíacas, diálises e internamento social para desabilitados ou idosos.


